“A transação proposta consolida a Minerva como o principal produtor de carne de bovino da América Latina, aumentando potencialmente o seu valor estratégico para os investidores centrados na segurança alimentar”, diz o banco americano.
“Acreditamos que parte da tese de investimento da Minerva é apoiada por seu pagamento de dividendos (payout), e esperamos uma reação negativa das ações à notícia”, completa.
Com a proposta de aquisição, a capacidade de abate da Minerva aumentaria em 42% – incluindo Breeders & Packers Uruguay (BPU) -, através da incorporação de algumas unidades no Brasil (78% do total adquirido), Uruguai (16%) e Argentina (6%) e a sua capacidade de abate de ovinos aumentaria 33,8%. A Minerva concordou em pagar R$ 7,5 bilhões pelos ativos da Marfrig: R$ 1,5 bilhão na assinatura e R$ 6,0 bilhões no fechamento. Para referência, o valor de mercado da Marfrig é de R$ 4,4 bilhões.
De acordo com os registros da Minerva, os ativos adquiridos geraram R$ 18 bilhões em vendas e R$ 1,5 bilhão em Ebitda nos últimos 12 meses, equivalente a 53,9% do Ebitda autônomo e implicando em um valuation de 5,0 vezes o Ebtida dos últimos 12 meses. As ações da Minerva são negociadas a 5,1 vezes o Ebitda. No mais, a Marfrig informou que os ativos que está vendendo renderam R$ 15,6 bilhões em vendas e R$ 748 milhões em Ebitda em 2022.
“O preço de compra proposto moveria a alavancagem da Minerva para 3,3 vezes o Ebitda, antes do máximo de 2,5 vezes para um pagamento de 50%, o que poderia significar nenhum dividendo extra no quarto trimestre (e provavelmente um pagamento de 25% em 2024 ante nossa previsão de 50%)”, diz o Goldman Sachs.
Os principais riscos negativos para a visão de investimento da casa incluem: novos embargos de exportação, proibições e/ ou interrupções sanitárias; desaceleração potencial na demanda da China; outras atividades de M&A (após as aquisições de ALC e BPU); volatilidade cambial; volatilidade política e macro em curso na Argentina; e aumento da concorrência para as exportações de carne bovina.
O Goldman Sachs tem recomendação de compra para as ações da Minerva, com preço-alvo de 12 meses de R$ 15,80 (45).