O rumo da guerra no Oriente Médio pode redefinir o preço do petróleo, e, com ele, o desempenho de bolsas, juros e ativos ao redor do mundo. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje encerrou em queda de 0,05%, aos 188.052,02 pontos, refletindo preocupações renovadas sobre a guerra no Oriente Médio, com reflexos vindo principalmente do preço do petróleo, que voltou a subir nesta quinta-feira (2). O mercado financeiro global reagiu ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na noite de ontem ameaçou atacar o Irã com “extrema força” nas próximas duas a três semanas.
A fala caiu como um balde de água fria nos investidores, que estavam esperançosos na véspera por um tom mais apaziguador do presidente americano sobre o conflito, aumentando as incertezas especialmente sobre o setor de energia.
Na agenda doméstica, a atenção se voltou à divulgação dos dados da produção industrial de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, no geral, mostrou avanço na indústria no mês.
No exterior, o mercado calibrou as expectativas para uma sequência de indicadores macroeconômicos. O destaque ficou para a divulgação dabalança comercial dos EUA, dado essencial para entender a dinâmica de trocas da maior potência global.
Cruzando o globo, o sentimento do investidor também foi pautado pelo desempenho da atividade na Ásia, com a leitura dos índices de gerentes de compras (PMIs) do Japão e da China, que funcionam como termômetros para a saúde da indústria e o ritmo de crescimento econômico no continente.
Bolsas reagiram ao discurso de Trump
Os mercados financeiros do mundo hoje repercutiram o discurso de 19 minutos em cadeia nacional do presidente americano, realizado na noite de ontem. Trump defendeu o que chamou de “sucesso” da guerra no Oriente Médio e repetiu uma lista de conquistas militares no conflito que, segundo ele, está perto do fim. Pressionado pela alta dos combustíveis nos EUA e pelo índice de aprovação cada vez pior, ele reiterou o prazo de “duas a três semanas” para encerrar os combates.
“Nas próximas duas ou três semanas, vamos levá-los [Irã] de volta à Idade da Pedra, onde é o lugar deles”, afirmou. “Enquanto isso, as negociações continuam.”
A fala contraditória pendeu para o lado das incertezas do conflito e faz pressão sobre os ativos financeiros do mundo todo nesta quinta-feira. No fechamento, o Dow Jones recuou 0,13%, enquanto oS&P 500 avançou 0,11% e o benchmark das ações de tecnologia Nasdaqtinha alta de 0,18%.
Na Europa, as principais Bolsas abriram em baixa e continuaram no vermelho até o fechamento, com destaque para os índices acionários de Paris (CAC40) e de Frankfurt (DAX), que encerraram em queda de 0,24% e 0,79%, respectivamente. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,18%, a 596,64 pontos.
Na Ásia, as Bolsas de Valores do continente fecharam em baixa nesta madrugada, com o índice sul-coreano Kospi em forte queda de 4,47%, acompanhado do Nikkei japonês, que caiu 2,38%, e do Hang Seng em Hong Kong, com recuo de 0,70%. Na China continental, o Xangai Composto teve queda de 0,74% e o menos abrangente Shenzhen Composto, de 1,59%.
Petróleo volta a subir
Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão de hoje em forte alta após as perspectivas de novos ataques dos EUA vindas de Trump. A ameaça “injetou novas incertezas nos mercados de energia”, diz a equipe de estratégia de commodities do ING, em nota. Segundo a companhia, “mesmo que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz seja retomado, um retorno às condições de mercado pré-guerra provavelmente será lento, já que a retomada da produção upstream, a normalização logística e a recomposição de estoques levarão tempo”.
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Às 17h45 (de Brasília), o barril do Brent para junho negociado na ICE avançava 7,57%, para US$ 108,82, enquanto o WTI para maio subia 11,62%, para US$ 111,75, na Nymex.
Em movimento contrário, os preços do ouro e da prata aceleraram as perdas. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para maio encerrou em baixa de 2,77%, a US$ 4.662,90 por onça-troy. Já a prata para o mesmo mês recuou 4,15%, a US$ 72,92 por onça-troy.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 1,29%, cotado a 805 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 117,12. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 1,51%, a 780,5 yuans, o equivalente a US$ 113,55 por tonelada.
Dólar encerra estável
Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 2, cotado a R$ 5,16 (+0,06), bem longe da máxima (R$ 5,19) vista no início dos negócios. Operadores ressaltaram que o real resistiu bem ao aumento da aversão de risco no exterior, após discurso de ontem do presidente Donald Trump frustrar as expectativas em torno de um fim iminente do conflito no Oriente Médio
Agenda dos EUA
Dados publicados pelo Departamento do Comércio americano indicam que o déficit comercial dos Estados Unidos subiu 4,80% em fevereiro ante janeiro, a US$ 57,35 bilhões. Analistas consultados pela FactSet previam déficit maior para o mês, de US$ 67,9 bilhões.
O déficit da balança de janeiro foi levemente revisado para cima, de US$ 54,46 bilhões para US$ 54,68 bilhões. As exportaçõesdos EUA subiram 4,2% em fevereiro ante janeiro, a US$ 314,79 bilhões, enquanto as importaçõesavançaram 4,3%, a US$ 372,14 bilhões.
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Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos teve queda de 9 mil na semana encerrada em 28 de março, a 202 mil. O resultado ficou abaixo da expectativa da FactSet, que previa 212 mil solicitações. O total de pedidos da semana anterior foi levemente revisado para cima, de 210 mil para 211 mil.
Já o total de pedidos continuados mostrou aumento de 25 mil na semana encerrada em 21 de março, a 1,841 milhão, superando a projeção de 1,836 milhão da FactSet. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.
Produção industrial forte
O IBGE divulgou nesta manhã a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), que mostrou avanço na indústria em fevereiro. 16 dos 25 ramos analisados registraram crescimento na comparação com janeiro.
Considerando ajuste sazonal, essa alteração equivale a um aumento de 0,9% na produção. Contudo, em comparação anual, o setor caiu 0,7%. A produção da indústria de bens de capital subiu 2,3% em fevereiro ante janeiro mas recuou 13,5% no ano.
Já nos bens de consumo, a produção registrou alta de 0,9% na passagem do mês. Porém, seguindo o padrão dos outros ramos, houve recuo de 1,8% em um ano. Na categoria de bens de consumo duráveis, na avaliação mensal, a produção subiu 0,9%. Já na anual, houve queda de 9,3%.
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Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve alta de 0,7% no mês e queda de 0,3% no ano. Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção subiu 1,1% no mês e contrariando as outras categorias, também avançou em relação a fevereiro de 2025, com alta de 1,1%.
Agenda econômica desta quinta-feira (2)
Horário
País
Indicador / Evento
05h00
Brasil
Fipe: IPC (mar)
09h00
Brasil
IBGE: Produção industrial (fev)
11h00
Brasil
Tesouro faz leilão de NTN-F (2031, 2033, 2037) e LTN (2026, 2028, 2030)
12h00
Brasil
BC oferta até R$ 5 bi em operações compromissadas de 3 meses
09h30
EUA
Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego – semana até 21/mar
09h30
EUA
Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego continuados – semana até 14/mar
09h30
EUA
Deptº do Comércio: balança comercial (fev)
09h30
EUA
Deptº do Comércio: Exportações
09h30
EUA
Deptº do Comércio: Importações
11h15
EUA
Presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan participa de conferência
13h45
EUA
Vice-presidente do Fed, Michelle Bowman participa de conferência
21h30
Japão
S&P Global/Jibun Bank: PMI composto (final) – mar
21h30
Japão
S&P Global/Jibun Bank: PMI serviços (final) – mar
22h45
China
S&P Global/RatingDog: PMI composto (final) – mar
22h45
China
S&P Global/RatingDog: PMI serviços (final) – mar
–
Reino Unido
Reunião com ministros das Relações Exteriores de 35 países