Por aqui, as atenções seguem voltadas às medidas do governo para ampliação de receita e à peça orçamentária. No início da tarde, houve certo desconforto nas mesas de operação com a possibilidade de mudança da meta de zerar o déficit primário para 2024, como estabelecido no arcabouço fiscal. Isso fez o dólar desacelerar bastante o ritmo de queda e flertar por alguns momentos com a estabilidade. Fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartado a possibilidade de mudança da meta fiscal e o aprofundamento da desvalorização da moeda americana lá fora, contudo, levaram o dólar novamente para baixo por aqui.
Com máxima a R$ 4,9020, registrada na primeira hora de negócios, e mínima a R$ 4,8495, a moeda encerrou a sessão cotada a R$ 4,8546, em queda de 0,42% – o que reduz a alta da divisa em agosto para 2,65%. No ano, o dólar ainda acumula desvalorização de 8,06%. Houve melhora da liquidez, que foi bem reduzida ontem. Principal termômetro do apetite por negócios, o contrato de dólar futuro para setembro movimento mais de US$ 12 bilhões.
Reportagem do Broadcast informou que os ministros da Casa Civil (Rui Costa), da Gestão (Esther Dweck) e do Planejamento (Simone Tebet) defendem como meta para 2024 um déficit primário entre 0,5% e 0,75% do PIB em 2024. O governo tem que entregar o projeto de lei orçamentária ao Congresso até quinta-feira, 31. Logo em seguida, Haddad disse que o Orçamento de 2024 será encaminhando com “resultado equilibrado”, dado que não haveria mais tempo de mudar. “Está pronto há mais de 15 dias. O orçamento está indo equilibrado, o que significa que as receitas primárias são iguais as despesas primárias”, disse o ministro da Fazenda.
Segundo o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, parte da alta do dólar no mês se deve a um aumento do risco fiscal, com desconfiança do mercado em relação ao cumprimento da meta fiscal em 2024, dado que o governo não contempla corte de despesas. “Não dá para alcançar a meta apenas com aumento de receitas. O dólar recuou com a aprovação do arcabouço, mas ainda está acima do que já vimos neste ano” diz Velloni, em referência ao fato de a taxa de câmbio ter ficado abaixo de R$ 4,80 em julho. “Essa parte fiscal ainda é uma barreira muito grande para o real se apreciar mais”.
No exterior, o índice DXY trabalhou em queda firme ao longo do dia e no fim da tarde rondava os 103,400 pontos, após mínima aos 104,355 pontos. A moeda americana caiu na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Pela manhã, o relatório Jolts mostrou que o número de vagas abertas no mercado de trabalho dos EUA caiu de 9,165 milhões em junho para 8,827 milhões em julho, quando a previsão de analistas era de 9,478 milhões.
“Esse dado de emprego, com menor abertura de vagas, mostrou uma perspectiva mais positiva no combate à inflação. Foi a notícia que acabou puxando o dólar para baixo e favoreceu o real hoje”, afirma o especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Thiago Avallone, acrescentando que é preciso esperar os indicadores dos EUA que vão sair neta semana, em especial o relatório oficial de emprego (payroll) de agosto na sexta-feira, para saber se o movimento de perda de força do dólar no exterior pode se tornar uma tendência.