De acordo com o CEO da Transferbank, Luiz Felipe Bazzo, o dado do PIB ajuda a fortalecer o real, ao indicar um entusiasmo maior do que o esperado na economia brasileira, a confiança dos investidores do mercado financeiro com bom desempenho dos ativos domésticos e a atração de novos investimentos.
“Apesar da política contracionista, o crescimento da economia tem sido sustentado pela renda, não apenas pelos programas de transferência do governo como também pelo mercado de trabalho, que vem surpreendendo positivamente”, diz.
Bezzo destaca ainda que a inflação mais controlada e a atividade econômica um pouco mais fraca abre margem para redução mais intensa da taxa básica de juros, a Selic. “Já havia previsão de que um corte de 0,75 ponto porcentual possa ser feito, mas com o PIB mais forte dificilmente vamos ver essa aceleração na queda da taxa de juros”.
Além disso, avalia Bezzo, o dólar segue sofrendo os impactos das expectativas em relação às taxas de juros nos Estados Unidos, com o mercado de olho nas indicações do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre os próximos passos na condução da política monetária.
O dólar e o euro subiram 1,33% e 1,08% frente ao real na semana, atingindo os R$ 4,94 e R$ 5,32, respectivamente.
Em Nova York, na semana, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 2,5%, 1,43%, 3,25%, respectivamente.
As três ações que mais valorizaram na semana foram Marfrig (MRFG3), CVC (CVCB3) e Vale (VALE3).
Marfrig (MRFG3): 14,31%, R$ 7,43
No dia no que foi anunciada a negociação de 16 plantas de bovinos e ovinos da Marfrig na América do Sul por R$ 7,5 bilhões para a Minerva (BEEF3), o mercado avaliou que a companhia conseguirá focar melhor em mercados com margens mais elevadas, com o norte-americano. O Citi e o Itaú BBA destacam que o acordo vai em direção à estratégia da Marfrig de consolidar uma mudança no mix de seu portfólio para uma categoria de maior valor agregado.
As ações da Marfrig acumulam desvalorização de 14,1% no ano.
CVC (CVCB3): 14,1%, R$ 2,59
Há dois pontos que explicam a alta da ação nesta sexta-feira e que explica também o desempenho da companhia na semana: “Hoje é um dia em que investidores estão com maior apetite a risco para ativos ligados à atividade doméstica e a empresa ainda está sendo favorecida pelo pedido de recuperação judicial da 123milhas“, explica o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, em entrevista ao Broadcast.
O recuo da moeda americana também fornece impulso adicional para os papéis da empresa de turismo, segundo ele.
A CVC acumula uma desvalorização de 42,32% em 2023.
Vale (VALE3): 10,99%, R$ 68,89
A empresa lidera os ganhos do setor de mineração e siderurgia apoiada pela decisão do JPMorgan de elevar a recomendação de neutro para overweight (equivalente a compra), destacando que a mineradora já se desvalorizou 27% em 2023 e que o governo chinês lançou um estímulo adicional para o setor imobiliário “da noite para o dia”.
A Vale acumula uma desvalorização de 18,77% no ano.
*Com Broadcast conteúdo