Por aqui, a leitura benigna do IPCA de agosto, que animou o Ibovespa e derrubou os juros futuros, contribuiu, em menor magnitude, para o escorregão do real, ao abrir as apostas para uma aceleração do ritmo de corte da taxa Selic ainda neste ano. Para o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) marcado para a semana que vem, contudo, a perspectiva majoritária ainda é de nova redução da taxa básica em 0,50 ponto porcentual, para 12,75% ao ano.
Com oscilação de pouco mais de três centavos entre mínima (R$ 4,9353) e máxima (R$ 4,9678), o dólar à vista fechou cotado a R$ 4,9530, em alta de 0,44%, devolvendo uma parcela da queda de ontem (-1,04%). No mês, a divisa passa a acumular ligeira avanço (+0,04%).
“O mercado operou hoje na expectativa pelo CPI nos Estados Unidos amanhã, que vai dar mais subsídios para a decisão do Federal Reserve. Não vejo motivos para o dólar deixar de apresentar uma tendência de alta, pelo menos no curto prazo”, afirma o especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Thiago Avallone.
Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – operava em leve alta no fim da tarde, ao redor dos 104,700 pontos, após se aproximar do nível dos 105,000 pontos na máxima (104,918 pontos). A moeda americana subiu na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, embora tenha recuado em relação a dois pares relevantes do real, os pesos mexicano e colombiano.
Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA acelerou de 0,12% em julho para 0,23% em agosto, resultado inferior à mediana das estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast (0,28%). Apesar da aceleração mensal, o IPCA apresentou composição mais benigna, com perda de fôlego de núcleos e de serviços. Casas como LCA Consultores e Warren Rena revisaram para baixo a projeção para o IPCA fechado deste ano.
Na visão da equipe de Macro da Genial Investimentos, capitaneada pelo economista José Márcio Camargo, o fato de grande parte das economias desenvolvidas ainda estarem em “processo de aperto monetário recomenda cautela adicional” para o Banco Central. O time da Genial observa que o Banco do Chile reduziu o ritmo de corte de juros neste mês, ao anunciar redução da taxa básica do país 0,75 ponto porcentual, para 9,50%. Isso porque o início do ciclo afrouxamento em julho, com um corte de 1 ponto porcentual, provocou aumento da volatilidade da taxa de câmbio e “desvalorização significativa” da moeda chilena.
“O Banco Central deve permanecer vigilante a esse mesmo risco, sob pena de desencadear um movimento de desvalorização da moeda brasileira com impactos negativos sobre o processo de desinflação”, afirma a equipe da Genial, que prevê mais três cortes de 0,50 pontos da taxa Selic neste ano, para 11,75%.