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Juros fecham em alta, com tentativa do mercado de realizar lucros

A correção foi limitada pela perspectiva de desinflação global reforçada após dados dos EUA

Por Denise Abarca

21/12/2023 | 19:01 Atualização: 21/12/2023 | 19:01

Entenda o que é o CDI. Imagem: Envato Elements
Entenda o que é o CDI. Imagem: Envato Elements

Os juros futuros fecharam esta quinta-feira (21) com viés de alta, perto dos ajustes da última quarta-feira (20), num ambiente de liquidez que vem sendo cada vez menor com a proximidade das festas de fim de ano. O mercado tentou realizar lucros a partir do avanço das taxas dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) e em meio ao leilão grande de títulos prefixados. Porém, a correção foi limitada pela perspectiva de desinflação global reforçada após dados fracos nos Estados Unidos e pelo avanço da agenda econômica no Congresso, com a expectativa pela votação do Orçamento de 2024 e do projeto de tributação das apostas esportivas. O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e as entrevistas dos dirigentes do Banco Central foram acompanhados, mas sem impacto sobre a curva.

Leia mais:
  • Juros dos Treasuries fecham mistos, com apostas do mercado sobre o Fed
  • Moedas globais: dólar opera em baixa, de olho nos próximos passos do Fed
  • Bolsas de NY fecham em alta, com indicadores da economia dos EUA no radar
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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou em 10,060%, de 10,049% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2026 terminou com taxa de 9,61%, de 9,59%. A taxa do DI para janeiro de 2027 passou de 9,67% para 9,72%, e a do DI para janeiro de 2029, de 10,07% para 10,11%.

Os juros dos Treasuries, que seguem como referência importante para a renda fixa no mundo todo, recuavam pela manhã, influenciados pelo crescimento de 4,9% do PIB dos EUA, levemente abaixo do esperado (5,2%), e pelo núcleo do índice de preços gastos com consumo (PCE) com alta de 2%, em linha com a meta do Federal Reserve para inflação, ambos referentes ao terceiro trimestre. Os indicadores estimularam ainda mais as apostas de queda de juros nos EUA em 2024, com o mercado chegando hoje a precificar um orçamento total de 175 pontos-base.

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Nesse contexto global, foi difícil para o mercado aqui engatar uma realização, ainda mais com o dólar em queda firme, chegando nas mínimas à casa de R$ 4,86. No fim da primeira etapa, porém, os yields passaram a subir. A curva local acompanhou, mas com alta moderada até porque, apesar da inversão de sinal, o retorno da T-Note de dez anos, por exemplo, manteve-se abaixo de 3,90%.

Ainda na primeira etapa, a oferta robusta do Tesouro trouxe volatilidade às taxas na B3 (B3SA3), especialmente no miolo, onde estavam concentrados os maiores lotes do leilão. O Tesouro ofertou 23 milhões de LTN, sendo 1 milhão para 1/10/2024, 12 milhões no papel para 1/10/2025 e 10 milhões para 1/7/2027, com venda efetiva total de 20,5 milhões. Nas NTN-F, a instituição ofertou 1,5 milhão e colocou 1,350 milhão.

O estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, diz não ver espaço para uma realização consistente na curva na medida em que a dinâmica para a renda fixa segue bastante favorável, dada a perspectiva de continuidade da desinflação e a tendência de menor volatilidade nos Treasuries. “Se o cenário global se confirmar benigno, a inflação continuar caindo e não houver mudança da meta fiscal, a Selic pode chegar a 9,5%”, afirmou. A expectativa da Monte Bravo por ora é de taxa terminal de 10,00%, mas deve ser revisada para baixo.

Na avaliação de Mathias, a ponta curta está com pouco prêmio, mas poderá ter uma nova pernada caso se desenhe a trajetória de Selic em um dígito. “A ponta longa ainda tem prêmio, especialmente nas NTN-B”, afirma, citando que o cenário de inflação pode ficar ainda mais favorável considerando a expectativa de mais valorização do câmbio, com possíveis novas levas de fluxo para a bolsa e renda fixa. “O dólar pode chegar a R$ 4,70 ainda no primeiro semestre.”

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Mathias, da Monte Bravo, disse que o Relatório de Inflação não trouxe nada que mudasse a percepção sobre a Selic. Na entrevista, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, enfatizou que o ritmo de corte de 0,50 ponto porcentual é adequado e que “próximas reuniões” significam duas, portanto, com sinalização até março. Reafirmou que o ritmo não está diretamente ligado ao resultado fiscal do governo nem com medidas específicas de arrecadação ou corte de despesas.

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