Segundo operadores, com a agenda doméstica esvaziada e na expectativa por números de inflação nos aqui e nos EUA nesta semana, investidores adotaram uma postura mais cautelosa, evitando apostas mais firmes. Principal termômetro do apetite por negócios, o contrato de dólar futuro para fevereiro recuou 0,18%, aos R$ 4,8845, e movimentou pouco mais de US$ 10 bilhões.
O diretor de investimentos da Alphatree Capital, Rodrigo Jolig, observa que não há fatos novos, neste momento, que possam alimentar uma nova onda de valorização de ativos emergentes como real. Com o quadro doméstico fiscal em segundo plano neste início de ano, apesar dos ruídos políticos entre Congresso e governo no tema da desoneração, as atenções estão voltadas às apostas para o início de corte de juros nos EUA.
“Parece que houve um exagero no rali do mercado de renda fixa no fim do ano que ajudou moedas emergentes e agora há alguma correção. O Federal Reserve já sinalizou que, pelos fundamentos, está comprometido com três cortes de juros, mas o mercado tinha colocado seis cortes na curva de juros”, diz Jolig. “A dúvida neste ano é se vai haver recessão nos Estados Unidos. Ou se a atividade vai continuar forte e a inflação parar de arrefecer. Vamos ver como vai vir o CPI. Se surpreender para cima, talvez o corte de juros no primeiro trimestre não se materialize.”
Na quinta-feira, 11, sai o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA referente a dezembro, o que pode levar a uma recalibragem das apostas para o início de corte de juros ainda neste primeiro trimestre. Após a ata do Federal Reserve e o relatório oficial de emprego (payroll) na semana passada, houve leve recuo nas chances de redução dos Fed Funds em março, que ainda continuam, contudo, superiores a 60%.