No fechamento desta quarta-feira, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 9,905%, de 9,947% na terça-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 passava de 9,86% para 9,79%. O DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,01%, de 10,10%, e a do DI para janeiro de 2029 passava de 10,59% para 10,48% (mínima).
A decisão do Fed de manter o juro entre 5,25% e 5,50% era amplamente esperada e o gráfico de pontos trouxe certo alívio. A estimativa de três reduções de 25 pontos-base no juro em 2024 foi preservada, mas os dirigentes aumentaram as projeções para 2025 e 2026, em relação a dezembro. Na entrevista coletiva após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, mostrou confiança no processo desinflacionário e afirmou que os riscos para o alcance da meta de 2% estão mais equilibrados.
Segundo ele, caso tudo siga como previsto, “em algum momento em 2024” será apropriado relaxar a política monetária, mas não deu mais pistas. “Não falamos hoje sobre cortar juros em algum mês específico”, ponderou. Foi bem recebida ainda a declaração do mandatário de que a autoridade pretende moderar o ritmo de redução do seu balanço de ativos em breve.
Impacto do Fed nas taxas de juros
Como resultado, as taxas curtas e intermediárias da curva americana cederam. “O juro americano de curto prazo está caindo muito, o que naturalmente gera pressão de baixa nos DIs e no dólar”, disse o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, para quem a entrevista de Powell endossou o caráter “dovish” do comunicado. “Na coletiva, todos os pontos mais conservadores levantados nas perguntas foram desmontados por Powell”, afirmou.
Na curva local, houve impacto nas taxas curtas e longas. O Fed pode ter animado parte do mercado sobre o que pode trazer o Copom esta noite, ainda que os diretores venham enfatizando que não há relação mecânica entre os juros americanos e a política monetária no Brasil. “O que está sendo sinalizado pelo Fed não muda nada para o Copom, que está olhando para a dinâmica da inflação”, afirma o economista da Nova Futura.
Para ele, o forward guidance para a Selic, de cortes de 0,5 ponto porcentual “nas próximas reuniões”, será mantido no plural, para evitar volatilidade nos ativos, mas nem por isso o comunicado será dovish. “Desde o último Copom, o cenário internacional piorou. Há formas de se passar uma mensagem mais conservadora sem mexer no forward guidance”, opina.