As ações do Magazine Luiza (MGLU3) lideraram as perdas, mas o grande fator que prejudicou a Bolsa brasileira no dia foi a queda das ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que têm peso maior no índice.
Enquanto os papéis ordinários (PETR3) da petroleira terminaram o dia em baixa de 2,52% a R$ 39,82, os preferenciais (PETR4) cederam 2,02% a R$ 36,88. O movimento se deu após a diretora de Exploração e Produção Sylvia dos Anjos afirmar que a estatal fez uma oferta não vinculante para comprar uma grande participação em uma descoberta de petróleo offshore (fora da costa) na Namíbia.
Na visão do Citi, embora a oferta da petroleira possa gerar um “bom fluxo de caixa”, isso poderia impactar negativamente os pagamentos de dividendos da Petrobras a curto prazo. Já a XP Investimentos avalia a proposta da Petrobras como neutra, observando que, com base nas informações divulgadas, ainda é incerto se a oferta da companhia será superior às outras feitas pelo ativo.
Frederico Nobre, head de análises da Warren Investimentos, explica que, embora a estatal precise aumentar suas reservas de petróleo, a empresa tem um “histórico fraco” de operações fora do Brasil, o que gera um certo ceticismo entre os investidores. “Além disso, essa compra, juntamente com a recompra de refinarias que haviam sido vendidas anteriormente, pode reduzir a ‘margem de segurança’ nas projeções de dividendos da Petrobras. Isso significa que a empresa pode ter menos recursos disponíveis para distribuir entre os acionistas, o que contribui para a queda nas ações”, explica.
Além dos temores em relação aos dividendos, outro fator que influenciou no recuo dos papéis da empresa nesta segunda-feira foi o desempenho negativo dos contratos futuros de petróleo. A commodity fechou em baixa em meio à contínua incerteza sobre a demanda da China e diante da valorização do dólar no exterior, que tende a encarecer e tirar a atratividade do petróleo aos investidores que possuem outras moedas.
Nos Estados Unidos, as Bolsas de Nova York encerraram o pregão mistas. Dow Jones recuou 0,12%, enquanto Nasdaq e S&P 500 tiveram ganhos de 0,07% e 0,08%, respectivamente. Há expectativa por balanços importantes na semana, incluindo o das big techs Apple (AAPL) e Microsoft (MSFT). Além disso, investidores ficam atentos à “Super-Quarta”, marcada por decisões monetárias no Brasil e nos Estados Unidos. No mesmo dia, o Banco do Japão (BoJ) também deve anunciar o futuro dos juros no país.
Já o dólar iniciou a semana agitada em queda no mercado doméstico. A moeda terminou o pregão em baixa de 0,57% a R$ 5,6255, com o real passando por um movimento de recuperação técnica, apesar da onda de valorização da divisa americana no exterior. O índice DXY, por exemplo, que mede o dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, encerrou em alta de 0,24%, aos 104,564 pontos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Klabin (KLBN11), 3R Petroleum (RRRP3) e Suzano (SUZB3).
Klabin (KLBN11): 3,21%, R$ 21,88
As ações da Klabin (KLBN11) lideraram os ganhos do Ibovespa nesta segunda-feira e terminaram a sessão em alta de 3,21% a R$ 21,88. Apesar do dólar ter fechado em queda diante de um correção técnica do real, a moeda americana continua sustentando um nível elevado (R$ 5,63) e impulsionando empresas exportadoras, que contam com receita dolarizada, conforme explicou o sócio e analista da Ajax Asset, Rafael Passos, ao Broadcast.
A KLBN11 está em alta de 2,05% no mês. No ano, acumula uma valorização de 10,62%.
3R Petroleum (RRRP3): 2,8%, R$ 26,4
Quem também se saiu bem no dia foram as ações da 3R Petroleum (RRRP3), que fecharam o pregão em alta de 2,8% a R$ 26,4. Em relatório, o Santander destacou que a empresa, junto com a Petrorecôncavo (RECV3), deve apresentar bons resultados no segundo trimestre do ano, apoiada por preços elevados do petróleo Brent e pela desvalorização do real em relação ao dólar.
A RRRP3 está em baixa de 3,93% no mês. No ano, acumula uma valorização de 1,66%.
Suzano (SUZB3): 1,91%, R$ 52,78
Os papéis da Suzano (SUZB3) também figuraram entre os principais destaques positivos do dia. As ações da empresa fecharam a sessão em valorização de 1,91%, sendo negociadas a R$ 52,78, tendo como suporte o nível elevado do dólar, que favorece companhias com receita dolarizada.
A SUZB3 está em baixa de 7,42% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 5,12%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Magazine Luiza (MGLU3), Usiminas (USIM5) e Vamos (VAMO3).
Magazine Luiza (MGLU3): -5,8%, R$ 11,2
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) começaram a semana liderando as perdas do Ibovespa. Os papéis da varejista, penalizados pelo avanço dos juros futuros, fecharam o pregão em queda de 5,8% cotados a R$ 11,2.
A MGLU3 está em baixa de 7,05% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 47,83%.
Usiminas (USIM5): -4,42%, R$ 6,05
Entre as principais baixas do índice, estiveram também as ações da Usiminas (USIM5), que encerraram a sessão em queda de 4,42% a R$ 6,05, estendendo as perdas de sexta-feira (26), quando fecharam em desvalorização de 23,55%.
O Bank Of America (BofA) rebaixou a recomendação para os papéis de neutra para underperform (equivalente à venda). O banco justifica que a alteração decorre dos resultados “decepcionantes” do segundo trimestre do ano. “Embora os preços do aço tenham subido, estamos menos otimistas quanto à melhoria dos custos à frente”, afirma a equipe da casa.
A USIM5 está em baixa de 23,51% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 32,63%.
Vamos (VAMO3): -4,36%, R$ 8,55
Outro destaque negativo do Ibovespa hoje foi a Vamos (VAMO3), que fechou em baixa de 4,36%, sendo negociada a R$ 8,55. No entanto, nenhuma notícia específica sobre a empresa foi monitorada pelos investidores.
A VAMO3 está em alta de 12,95% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 15,09%.
*Com Estadão Conteúdo