Segundo relatório assinado pelos analistas Mayara Santiago e Marcos Muniz, a diferença entre a massa de rendimentos e o consumo das famílias ficou em cerca de R$ 900 bilhões em doze meses encerrados em junho. Quando se casa com o número oficial da poupança das famílias, cujo último dado é referente a 2021, chega-se a uma participação superior a 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal nível, cerca de 1 ponto porcentual acima da poupança média histórica, representa um colchão capaz de compensar os efeitos não só de um menor ritmo de crescimento da ocupação, mas também da menor expansão fiscal.
O relatório do Bradesco pontua que, apesar das surpresas, o mercado de trabalho parece dar sinais de possível perda de tração. Em paralelo, juros em níveis restritivos, o dólar mais caro, que pode reduzir a demanda por produtos importados, e incertezas crescentes sugerem alguma moderação do consumo para o resto do ano.
Além disso, os estímulos fiscais tendem a diminuir, após ajudarem a explicar a resiliência da atividade no primeiro semestre, na esteira do pagamento extraordinário de precatórios, realizado em dezembro, e da antecipação do 13º salário do INSS. O cumprimento do arcabouço fiscal, observam os analistas do Bradesco, pressupõe desaceleração do impulso fiscal no segundo semestre.