Segundo ele, com mais dinheiro nas mãos das pessoas, o consumo de produtos reagiu e os preços das commodities se recuperaram. A segunda explicação para o avanço das commoditites está ligada ao clima. “A questão climática também pesou nos grãos e foi para os preços”, afirmou. “A Arábia Saudita restringiu produção”, acrescentou, em referência aos cortes mais recentes na produção de petróleo, que impulsionaram os preços da commodity e o dólar ante outras moedas no mercado internacional.
Ao avaliar de forma geral o movimento do câmbio nos últimos meses, Bruno Serra lembrou que o Brasil passou pelo que outros países passaram durante a pandemia, com a saída de investimentos estrangeiros. Além disso, ele lembrou que em 2020 o Brasil enfrentou um “ajuste grande” de estoques cambiais ligados ao overhedge – o hedge (proteção) em excesso que bancos com operações no exterior carregavam e que precisou ser reduzido até o fim do ano. O ajuste do overhedge, conforme Bruno Serra, somou cerca de US$ 35 bilhões.
Para evitar pressão adicional no câmbio, o BC promoveu operações cambiais no fim de 2020, permitindo a redução do overhedge. “Era um problema que vivíamos no mercado de câmbio brasileiro. Reduzir o estoque de overhedge é doloroso, mas vai trazer frutos no futuro”, defendeu. Bruno Serra participa hoje de evento virtual sobre “Conjuntura Econômica Brasileira”, organizado pela XP Investimentos.