O movimento acompanha a desvalorização das bolsas de Nova York, que pioraram após a pesquisa final da Universidade de Michigan mostrar queda do sentimento do consumidor a 57 em março, mais intensa do que o esperado.
A cautela nos mercados internacionais na última sexta-feira de março e antes de anúncios sobre as “tarifas recíprocas” dos Estados Unidos na semana que vem pode instigar uma realização de lucros no principal índice da B3 hoje. Na véspera, o Índice Bovespa fechou em alta de 0,47%, aos 133.148,75 pontos – pela primeira vez nesta marca em 2025.
Na avaliação de Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, os ruídos gerados por Donald Trump criam um panorama de permanente instabilidade e maior incerteza, o que tende a penalizar ativos de maior risco.
A fraqueza das commodities hoje tende a corroborar essa expectativa, antes das divulgações do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) nos Estados Unidos. Trata-se do índice de inflação predileto do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Fica no foco a deflação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em março. O IGP-M registrou queda de 0,34% no fechamento deste mês após alta de 1,06% em fevereiro. O recuo foi mais intenso do que o piso das estimativas do mercado financeiro em pesquisa Projeções Broadcast, de baixa de 0,32%.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de fevereiro, que mostrou taxa de desemprego em 6,8%, igual à mediana encontrada na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast.
À tarde, será divulgado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês passado. A mediana das expectativas indica criação líquida de 225 mil vagas com carteira assinada, acelerando o ritmo na comparação com janeiro.
O dólar hoje se ajustar à alta da divisa americana frente moedas principais e várias emergentes pares do real em meio a quedas das commodities e preocupações com os impactos da política tarifária dos EUA – leia mais aqui. Nesta sexta-feira, o dólar avança 0,22%, a R$ 5,7616.
- Confira aqui a agenda econômica das empresas nesta sexta-feira
Ibovespa hoje: os destaques desta sexta-feira
Tarifas dos EUA acendem cautela internacional
As preocupações com os impactos das tarifas dos EUA pesam sobre as bolsas internacionais. O presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, afirmou que a política monetária americana está sendo conduzida sob uma “névoa densa”, comparando a situação a uma “visibilidade zero”. Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, reforçou que a manutenção dos juros por mais tempo é apropriada.
A consultoria Capital Economics avalia que as tarifas de 25% sobre as importações de veículos podem reduzir as vendas alemãs no mercado americano em até 50% e levar o Canadá à recessão.
Como operam as bolsas globais hoje?
Apesar da cautela gerada pela guerra comercial, as bolsas de valores europeias e a brasileira acumulam ganhos no ano, enquanto os mercados de Nova York operam no vermelho. Inclusive, nesta sexta-feira, os índices futuros das bolsas de Nova York e os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) recuam.
Na Europa, a libra se fortaleceu frente ao dólar hoje após uma alta inesperada das vendas no varejo do Reino Unido e o crescimento de 0,1% da economia britânica, conforme esperado. Já na zona do euro, o índice de sentimento econômico caiu em março, frustrando a expectativa de alta.
Pnad Contínua: como está a desocupação no Brasil?
A taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi idêntico à mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam taxa de desemprego entre 6,6% e 7,0%. Em igual período do ano anterior, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 7,8%. No trimestre encerrado em janeiro de 2025, a taxa de desocupação estava em 6,5%.
Commodities: minério recua e petróleo beira estabilidade
O petróleo mostra estabilidade após acumular ganhos nas duas últimas sessões, enquanto investidores seguem monitorando desdobramentos da política tarifária do governo Donald Trump e avaliam a possibilidade de aperto na oferta da commodity. No início desta manhã, o barril do petróleo WTI para maio subia 0,13%, enquanto o do Brent para junho avançava 0,04%.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro fechou em queda de 0,19%, cotado a 785,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 108,1 nos mercados de Dalian, na China.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) caíam 0,49% no pré-mercado de Nova York. Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) mostravam estabilidade na manhã desta sexta-feira.
O que esperar para o Ibovespa hoje?
O viés negativo dos futuros de Nova York pode limitar um avanço do Ibovespa hoje. O EWZ, principal fundo de índice (ETF, fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação) brasileiro negociado em Nova York, subia 0,49% no pré-mercado no início da manhã.
Fernando Haddad afirmou na quinta-feira (27) que o governo mantém sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,3% para 2024, apesar da revisão do Banco Central, que reduziu sua projeção de 2,1% para 1,9% no Relatório de Política Monetária (RPM). O ministro reiterou que o governo tem o mesmo objetivo do BC: cumprir o regime de metas de inflação.
O mercado financeiro hoje também acompanha os dados do emprego, o IGP-M e a repercussão da indicação do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o Conselho Fiscal da Eletrobras (ELET3; ELET6) – veja mais aqui.
*Com informações de Daniela Amorim e Gabriela Jucá, do Broadcast