Nesta manhã, a empresa aérea reportou lucro líquido de R$ 783,1 milhões no primeiro trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 1,1 bilhão em igual intervalo de 2024. No critério ajustado, houve prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão, ampliando a cifra também negativa de R$ 324,2 milhões registrada um ano antes.
Apesar do lucro da Azul, o CEO da companhia aérea, John Rodgerson, afirmou que a “operação no trimestre foi severamente impactada por fatores macroeconômicos”, em mensagem anexada ao release de resultados.
O executivo destacou a alta anual de 8% no custo operacional de assento disponível por quilômetro (CASK, na sigla em inglês), que reflete a desvalorização média de 18% do real brasileiro em relação ao dólar americano, inflação de 5,5% nos últimos 12 meses e aumento de 3% nos preços dos combustíveis – saiba mais aqui.
Azul (AZUL4) lidera perdas do Ibovespa após balanço
Somado ao balanço da Azul no 1T25, os papéis de companhias aéreas vivenciam um momento difícil na Bolsa de Valores brasileira. No acumulado de 2025, as ações da Azul e da Gol (GOLL4) acumulam perdas de 66,10% e 28,46%, respectivamente, até o pregão desta quarta-feira.
- Fitch rebaixa nota de crédito da Azul de olho em reestruturação; entenda
Nesse contexto, os ativos da Azul (AZUL4) lideram perdas do Ibovespa no ano, enquanto as ações da Gol chegaram a derreter 25% em um único pregão, na última sexta-feira (9). Para analistas, é difícil visualizar um cenário de recuperação para as empresas – saiba mais nesta reportagem do E-Investidor.
Mercado vê balanço com preocupação
O JPMorgan considerou “decepcionantes” os resultados da Azul no primeiro trimestre de 2025, ficando abaixo das estimativas do banco. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização) de R$ 1,38 bilhão veio 19% menor que o esperado. Além disso, na visão do banco, outro indicador que apresentou desempenho ruim foi o custo operacional por assento disponível por quilômetro (CASK), sem considerar combustível, que superou em 9% o estimado.
Os analistas Guilherme Mendes e Julia Orsi, do JPMorgan, também chamam a atenção para a queda trimestral da liquidez imediata de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões. “Esperamos uma reação negativa do mercado, com pressão contínua decorrente do plano de gestão de passivos da Azul e a previsão de uma diluição substancial de capital superior a 80%”, diz a dupla.
Para o BTG Pactual, os resultados operacionais foram satisfatórios, mas a alavancagem seguiu sendo preocupação, no patamar de 5,2x dívida líquida/EBITDA. “Para os próximos trimestres, recomendamos que os investidores continuem monitorando a alavancagem e gestão de passivos, os custos e a evolução da combinação de negócios com a Gol. Mantemos nossa recomendação neutra para o ativo”, diz o banco.
Já o Goldman Sachs, assim como o JPMorgan, enxerga que o CASK foi o destaque negativo, devido a um aumento temporário de operações irregulares, causado por problemas de desempenho de fabricantes de aeronaves (OEMs) e questões na cadeia de suprimentos, o que levou a um aumento nas ações judiciais e nos custos com passageiros, como hotel, alimentação e transporte.
O Goldman manteve recomendação neutra para Azul, com preço-alvo de R$ 4,60. O banco, no entanto, tem preferência por Copa (CPA) e Latam (LTM) dentro de sua cobertura.
*Com informações do Broadcast