Por causa do anúncio, as ações da Coinbase já saltaram cerca de 24%. A inclusão no S&P500 acontece em um momento mais favorável ao mercado cripto, que, desde a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024, vive a expectativa de que a maior economia do mundo ajude na adesão institucional dos ativos. A COIN vai entrar no lugar da Discover Financial Services.
“Ao garantir seu lugar entre os gigantes financeiros dos EUA, a Coinbase está preenchendo a lacuna entre as finanças tradicionais e os ativos digitais de uma forma que era impensável há apenas alguns anos”, destaca a Mirabaud em relatório publicado nesta quinta-feira (15).
O cálculo da gestora é que a entrada da Coinbase no S&P 500 resulte em até US$ 9 bilhões de compras passivas. Em 2020, a entrada da Tesla no índice trouxe entre US$ 51 bi a US$ 78 bi de fluxos para as ações, lembra a Mirabaud.
Há ainda um outro ponto, para além do investimento direto nas ações da companhia. Com a integração ao índice, quem investe em Exchange Traded Funds (ETFs) que seguem a bolsa americana passará a ter exposição indireta ao mercado cripto. Somente nos EUA, entre 30% a 50% das famílias investem no S&P 500 via ETFs. “Essa integração pode transformar a exposição a criptomoedas em um fenômeno em massa, sem que os investidores sequer comprem bitcoin ou ethereum diretamente.”
A parte negativa dessa história é que, agora, a Coinbase pode se ver pressionada a maior regulação, incluindo comunicação padronizada, produtos mais seguros e alinhamento com os marcos regulatórios dos EUA. “O paradoxo é evidente: quanto mais forte a Coinbase se torna, maior é o risco de diluir o DNA descentralizado que a transformou em um ícone. Essa tensão pode redefinir o futuro do Web3, entre a legitimidade e a perda de agilidade.”