A força da criptomoeda surge em um momento de alívio das tensões macroeconômico com o avanço dos acordos comerciais e com a possibilidade de um cessar fogo entre Ucrânia e Rússia. “Esse ânimo mais leve dentro do mercado permitiu fluxos de capital mais intensos para a criptomoeda. Isso é observável nos ETFs, que já registram mais de US$ 3,6 bilhões em entradas este mês – valor não visto desde janeiro”, diz Beto Bernandes, analista da Foxbit.
A adoção da moeda como ativo de reserva estratégica pelas companhias também pressiona a cotação do bitcoin. Como mostramos nesta reportagem, no último dia 15, a Méliuz (CASH3) se tornou a primeira Bitcoin Treasury Company da América Latina – empresa cuja principal missão é o acúmulo de bitcoins, utilizando sua geração de caixa e estruturas corporativas e de mercado de capitais para ampliar a exposição ao ativo ao longo do tempo.
A mudança viabiliza que a empresa realize investimentos em bitcoin como parte da sua estratégia de negócios. E como primeiro ato da “nova Méliuz”, a fintech comprou US$ 28,4 milhões na criptomoeda, o que equivale a cerca de R$ 160 milhões. A empresa já tinha feito uma operação de compra de BTC em março deste ano e, somada a essa nova aquisição, passa a deter 320,25 bitcoin.
“A Câmara do Texas também aprovou a terceira leitura do projeto que cria uma reserva de BTC estratégica. Caso aprovado, podemos ver uma “instituição grande” fazendo aportes neste mercado”, acrescenta Fernandes. Com o interesse dos investidores pelo ativo, o bitcoin conseguiu se deslocar das bolsas de Nova York. Na sessão de quarta-feira (20), o índice americano S&P 500 caiu 1,61%, enquanto o bitcoin ganhava fôlego. “Isso mostra que aos poucos os investidores começam a entender a tese de porto seguro apresentada pelo Bitcoin”, diz Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset. Com os recentes ganhos, o bitcoin acumula uma valorização de 18,6% em 2025.