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Famílias sentirão mais a Selic de 15% no 2º semestre, diz economista-chefe do Banco Inter

Para Rafaela Vitória, impacto aparece no crédito mais caro e mais escasso, mas empresas também sofrem

Por Leo Guimarães

24/06/2025 | 20:15 Atualização: 24/06/2025 | 20:15

Para famílias, juros mais altos reduzem oferta de crédito para consumo. (Foto: AdobeStock)
Para famílias, juros mais altos reduzem oferta de crédito para consumo. (Foto: AdobeStock)

Apesar do tom duro do Banco Central (BC) na ata divulgada nesta terça-feira (24), que reforça a manutenção da Selic em 15% ao ano por mais tempo, a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, mantém a projeção de um corte de 0,5 ponto porcentual até dezembro, o que levaria a taxa básica de juros a 14,5% ao fim de 2025.

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De acordo com ela, o atual patamar de juros no Brasil está muito restritivo, afetando empresas e famílias. “As empresas estão entrando no quarto ano com juros elevados. Isso corrói a geração de caixa, reduz a lucratividade e afeta diretamente a capacidade de investimento. Isso tende a desacelerar a atividade”, explica.

Do lado das famílias, o impacto aparece no crédito mais caro e mais escasso. “Os bancos reduzem o apetite a risco e a oferta de crédito para consumo diminui. Isso tende a desacelerar a economia mais rápido no segundo semestre.”

Previsão para juros diferente do consenso

Ela avalia, no entanto, que sua previsão é um pouco diferente da maior parte do mercado – e também do que sugere a autoridade monetária na ata sobre a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça (24).

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Para a economista chefe do Banco Inter, o BC apontou, “de forma diplomática”, que não há sintonia entre política fiscal e monetária. Ou seja, o governo continua expansionista, estimulando a demanda, o que exige um prêmio maior para chegar ao juro neutro, ou seja, aquele que nem estimula nem restringe a atividade, como agora.  “Esse é o recado do Banco Central“, diz.

Neste ambiente, a preocupação é com o governo encontrando brechas para elevar gastos “seja furando a meta, alterando-a ou lançando despesas fora do teto, como no passado”.

O que o investidor deve olhar no segundo semestre?

Mesmo no quadro mais otimista do Inter, será preciso vigilância. Isso porque os gastos do governo tendem a crescer nos próximos meses, o que deve pressionar as contas públicas. Vitória lembra de pagamento de R$ 70 bilhões em precatórios previsto para julho e agosto, além da execução de emendas parlamentares represadas no início do ano. “Se o governo conseguir mais receita, pode acelerar ainda mais os gastos em 2025”, alerta.

O panorama traçado pelo Inter, de uma possível queda mais rápida da inflação, considera um Executivo mais disciplinado fiscalmente por meio dos freios institucionais. “O Congresso não vai aprovar a MP como ela foi proposta, então o governo não vai ter essa folga de receita e o contingenciamento vai ser um pouco maior”, diz.

A executiva se refere à Medida Provisória 1.303/2025 – veja os detalhes aqui – que aumenta a carga tributária padronizando o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, contribuição dos bancos e que cria nova alíquotas para produtos de investimentos isentos. Neste caso, a taxa de juros que é muito restritiva acaba aumentando sua potência e a atividade cai.

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