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Investimentos

Nova norma sobre LCI entra em vigor: o que isso muda para o investidor?

Agora mais instituições poderão emitir os títulos, como forma de incentivar o mercado imobiliário

Por Beatriz Rocha

01/07/2025 | 3:00 Atualização: 30/06/2025 | 21:25

Nova regra sobre LCIs pode beneficiar investidor de renda fixa. Foto: Adobe Stock
Nova regra sobre LCIs pode beneficiar investidor de renda fixa. Foto: Adobe Stock

A partir desta terça-feira (1º) começa a valer uma nova regra envolvendo as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Agora, as Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI), popularmente conhecidas como financeiras, também terão a chance de emitir esses títulos.

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A medida foi aprovada pelo Banco Central (BC) no começo de maio. Com ela, as financeiras terão à sua disposição mais um instrumento de captação, com o potencial de incentivar o mercado de crédito imobiliário. Segundo o BC, a ideia é proporcionar maior modernização a essas empresas, posicionando-as mais adequadamente em relação às instituições de segmentos que desempenham atividades concorrentes ou similares.

  • Veja mais: Como 3 milhões de brasileiros estão transformando suas finanças com o Tesouro Direto

Paulo Faria, professor de Administração da ESPM, explica que a decisão surge num contexto em que a retirada de recursos da poupança tem pressionado o setor de imóveis. Os dados mais recentes mostram que, no acumulado de 2025, a poupança tem saque líquido de R$ 51,773 bilhões. “Isso dificulta o financiamento no setor imobiliário, já que, se a caderneta de poupança estivesse recebendo mais aportes, haveria mais recursos disponíveis para esse tipo de crédito, o que atualmente não acontece”, afirma.

Segundo o professor, o que tem ocorrido nos últimos anos é uma relativa perda de atratividade da poupança, que tem rentabilidade inferior à das demais modalidades de investimentos. “Outros produtos de renda fixa têm recebido mais atenção dos investidores”, destaca.

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As LCIs, surgem então, como uma solução para captar mais recursos para o financiamento imobiliário. “Com a queda na captação da poupança e a captação dos bancos se mostrando insuficiente para atender à demanda, o Banco Central decidiu incluir também as financeiras no processo, permitindo que elas captem recursos e ofereçam crédito mais barato voltado ao setor imobiliário”, diz.

  • Leia mais: Entenda como a proposta do governo quer mudar a cobrança de IR sobre seus investimentos

No entanto, a recente proposta do governo de tributar em 5% as novas emissões de LCIs “esfria” parte desse movimento de incentivo – veja mais detalhes aqui – e já vem reduzindo a rentabilidade dos papéis no mercado. “Ao deixarem de ser totalmente isentas, as letras de crédito ficam menos atraentes para o investidor comum, o que reduz o potencial de captação dessas novas instituições justamente quando elas começam a entrar no mercado”, sinaliza Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista sênior da ZIIN Investimentos.

A proposta do governo também contraria uma decisão recente do Conselho Monetário Nacional (CMN), que busca estimular o uso das letras de crédito. Em maio, o órgão reduziu de 9 para 6 meses o prazo mínimo de vencimento das LCIs e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) emitidas sem correção por índice de preços.

O que muda para o investidor?

Com a entrada das financeiras nesse mercado, aumenta a diversidade de emissores de LCI, o que pode trazer mais opções para quem busca esse tipo de investimento. “Se de fato as financeiras passarem a aproveitar essa abertura e, imaginamos que vão, então os investidores terão uma gama maior de emissores como opção”, diz Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP.

Outro ponto é o aumento da concorrência entre as instituições. “A concorrência pode fazer com que as taxas desses novos títulos emitidos sejam maiores. Isso porque as sociedades de crédito são instituições de médio porte e para que elas tenham uma vantagem na captação, vão ter que emitir títulos com taxas mais atrativas”, diz Carlos Castro, coordenador da comissão de embaixadores da Planejar.

Dolle, da XP, afirma ser necessário, porém, esperar o início da nova medida, antes de tirar maiores conclusões sobre as taxas da modalidade. “Isso também vai depender do perfil de risco das financeiras emissoras e do volume de recursos que elas, de fato, movimentarem no mercado”, pontua.

Quais cuidados tomar antes de investir em LCIs?

As LCIs são títulos de renda fixa atualmente isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas, já que as propostas de tributação do governo ainda precisam passar pelo Congresso Nacional. Os produtos também contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não estão livres de riscos.

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Existe, por exemplo, a possibilidade da financeira não conseguir honrar o pagamento da LCI. Esse risco é aliviado pelo FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição, mas ainda assim é recomendável avaliar a saúde financeira da emissora, buscando pelas análises de agências de classificação de risco, como Fitch, Moody’s e S&P.

Outro ponto importante em relação às LCIs é o risco de liquidez. Agora o período de carência, prazo mínimo em que o investidor não pode resgatar o dinheiro aplicado, é de 6 meses para letras de crédito emitidas sem a previsão de atualização por índice de preços. É preciso levar isso em consideração porque se a pessoa precisar de uma reserva financeira de liquidez alta, a letra de crédito não é a opção mais recomendada.

Ainda assim, mesmo com os riscos envolvidos, as LCIs podem ser uma alternativa interessante, inclusive para perfis mais conservadores. “Desde que haja uma estratégia bem definida, alinhada aos objetivos pessoais e ao horizonte de tempo do investimento, esse tipo de ativo pode compor a carteira com segurança”, avalia Castro, da Planejar.

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