Fomentar o ódio de classes pode parecer um caminho fácil para mobilizar uma base eleitoral. Mas é também um dos caminhos mais perigosos para um país que ainda tenta se consolidar como economia relevante no cenário global. Não é à toa que, historicamente, nenhum país que se apoiou nesse tipo de retórica prosperou de forma sustentável. Alemanha Oriental, Cuba, Venezuela, todos apostaram na divisão de classes como pilar político e colheram colapsos econômicos, êxodo de talentos e décadas de estagnação. No Brasil, o jogo é parecido.
Enquanto se grita contra os ricos, ignora-se o peso de um Estado que consome mais do que entrega. Fala-se em justiça tributária, mas esconde-se o fato de que quem empreende enfrenta uma das cargas fiscais mais complexas e onerosas do mundo. O País gasta bilhões em programas assistencialistas, mas falha em gerar ambiente propício para que as pessoas caminhem com as próprias pernas.
O problema é que o discurso contra a riqueza floresce justamente onde falta educação financeira. Quando as pessoas não entendem como o dinheiro funciona, é fácil convencê-las de que enriquecer é uma questão de sorte, herança ou corrupção. Poucos associam prosperidade a disciplina, estratégia, risco e longo prazo, porque nunca aprenderam isso. O Estado que aponta o dedo para os ricos é o mesmo que nunca ensinou ninguém a sair da pobreza com autonomia.
O resultado? Gerações crescendo com a mentalidade de que dinheiro é sujo, lucro é pecado e quem ganha mais é culpado pelo fracasso de quem ganha menos. Isso afasta o brasileiro da realidade do mercado, da ideia de investimento, da construção de patrimônio. O País não forma investidores. Forma consumidores endividados, que vivem no limite do crédito e acreditam que resolver a vida financeira depende do próximo presidente, nunca deles mesmos.
É nesse ponto que o discurso se torna perverso. Porque enquanto finge proteger os pobres, tira deles a chance de sair dessa condição. E ainda afasta o investimento privado, trava o crescimento e desacelera a criação de empregos. O mercado não cresce onde há hostilidade ideológica. O capital foge quando a narrativa criminaliza o lucro.
Quem investe (ou pretende investir) precisa entender isso: o Brasil não vai melhorar punindo quem deu certo, mas, sim, incentivando que mais pessoas deem certo. A equação correta é: menos populismo, mais eficiência. Menos discurso, mais educação. Menos Estado, mais liberdade para crescer.
O problema do Brasil não é quem enriquece. O problema é um sistema que deseduca, desincentiva e depois culpa os poucos que conseguiram prosperar. O investidor que enxerga além da manchete sabe disso. Sabe que enquanto o País alimenta narrativas fáceis, o tempo está passando, e a janela de oportunidade se fecha para quem continua esperando o Estado fazer o que ele nunca fez: ensinar a pescar.
O Brasil precisa romper com o ciclo de vitimização coletiva. A educação financeira tem que deixar de ser discurso de palestra e virar política de base, nas escolas, nas famílias e nos ambientes de trabalho. Só assim o Brasil vai parar de demonizar a riqueza e começar a construí-la. De verdade.