Quem é a Reag, gestora que duplicou de tamanho em 2 anos e aparece como suspeita em esquema do PCC
A companhia foi listada na Bolsa neste ano em operação que fechou o capital da GetNinjas. Nesta quinta-feira (28), a Reag soltou um fato relevante sobre ação da PF informando que "colabora integralmente com as autoridades"
Conheça a Reag, um dos alvos da Operação Carbono Oculto (Foto: Werther Santana/Estadão)
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos é um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (28). A investigação mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que envolvia o Primeiro Comando da Capital (PCC) e pesos pesados da Faria Lima, centro financeiro do País. A Reag soltou nesta quinta-feira (28) um fato relevante sobre a operação em que limita a informar que “colabora integralmente com as autoridades”.
Em tamanho, a Reag só fica atrás das assets dos grandes bancos brasileiros. Até julho deste ano, era a maior casa independente do País, com R$ 341,5 bilhões sob gestão, segundo ranking atualizado mensalmente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Nas estratégias de destaque estão os Fundos de Investimento em Participações (FIP), segmento em que é a segunda maior gestora do mercado; Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), em que tem o terceiro maior patrimônio sob gestão da indústria; e multimercados, em que detém o segundo maior share de mercado.
Não por coincidência, são FIPs e multimercados da gestora que está no radar da operação Carbono Oculto. Veja a lista de fundos investigados aqui.
O crescimento expressivo da Reag aconteceu nos últimos anos. Desde 2023, o PL dobrou de tamanho com aquisições de outras assets. De lá para cá, comprou a Rapier e a Quadrante, empresas de wealth management (gestão de patrimônio); depois, a Quasar Asset e a Empírica, especialistas em crédito; e por fim, a Berkana, ligada ao agronegócio.
Em janeiro de 2024, em um esforço de expansão de marca, a gestora adquiriu os naming rights (direito de dar o nome) do tradicional Cine Belas Artes, em São Paulo, que deste então se chama Reag Belas Artes.
Como a Reag chegou à Bolsa de Valores?
Apesar de décadas de atuação relevante nos bastidores do mercado, a Reag se tornou mais popular ao investidor comum neste ano, ao listar na Bolsa de Valoresa Reag Investimentos, seu braço de asset e wealth management, pelo ticker REAG3 após um oferta inicial de ações (IPO) reverso. A operação foi um desdobramento do fechamento de capital da GetNinjas, que Mansur tomou o controle em 2024 por meio de uma poison pill – mecanismo de proteção para acionistas minoritários.
À época, o fundador da GetNinjas alegava que alguns fundos de investimento estavam trabalhando em conjunto para avançar sobre o controle da empresa e fechar seu capital na Bolsa. A Reag era um deles. Contamos esta história na época; você pode ler aqui.
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Hoje, a própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vê irregularidades no que aconteceu e tem um processo aberto de investigação. Há duas semanas, a autarquia negou um termo de compromisso da gestora que se propunha a pagar R$ 300 mil para compensar a falta de informações detalhadas à época.
A CVM entende que a Reag não informou o real motivo que a levou, ainda em 2023, a aumentar de forma relevante a participação acionária na GetNinjas, de 5,07% para 18,34%, e vai seguir investigando o caso.
Este ano, por causa do IPO reverso, a Reag atrasou a divulgação das demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2024, alegando que o trabalho dos auditores independentes ainda estavam trabalhando em “algumas informações financeiras” pendentes da companhia.
A suposta ligação com o PCC
A Reag é investigada junto a outras instituições sob a suspeita de lavagem de dinheiro do esquema do PCC que capturou parte do mercado nacional de combustíveis.
Era a gestora que, nos primeiros semestres de 2020, administrava o Location Fundo de Investimentos e Participações Multiestratégia, o fundo de Mohamad Hussein Mourad, executivo do antigo grupo Aster/Copape e apontado como integrante da organização criminosa.
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Segundo a investigação, os criminosos utilizavam os produtos financeiros para blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro. “O uso de centenas de empresas operacionais na fraude permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade”, diz a Receita Federal, em nota.