As expectativas do mercado estão concentradas em indicadores que mostrem melhora na rentabilidade e controle da inadimplência, após um segundo trimestre fraco para agentes do mercado. O lucro líquido ajustado foi de apenas R$ 3,8 bilhões no 2T25, uma queda de 60% em relação ao mesmo período de 2024. Há apostas de recuperação, mas o Bradesco BBI projeta que o BB pode ser o único grande banco a não registrar alta anual no lucro no trimestre.
Outro ponto-chave será o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que caiu de 21,6% no 2T24 para 8,4% no 2T25 – um dos níveis mais baixos da série histórica. Analistas ressaltam que uma retomada consistente da rentabilidade é essencial para sustentar o valor das ações e reabrir espaço para pagamento de proventos mais robustos.
A margem financeira bruta também será observada de perto: o banco tentará retomar o desempenho de R$ 25,9 bilhões registrado no 3T24, após alcançar R$ 25,1 bilhões no 2T25. Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) seguem como o ponto mais sensível do balanço, o volume disparou cerca de 80% em um ano, consumindo quase R$ 14 bilhões do resultado. O comportamento da inadimplência acima de 90 dias, especialmente nas carteiras de agronegócio e MPMEs, será determinante para o humor do mercado.
Os investidores também acompanharão de perto a cobertura das PDD, o custo de crédito, a eficiência operacional (com despesas administrativas e de pessoal de R$ 9,7 bilhões no 2T25, alta de 1,9% frente ao trimestre anterior) e o retorno sobre investimento (ROI), que se manteve em 13,3%.
Após o corte do payout de 40-45% para 30% no trimestre anterior, o discurso da diretoria sobre a política de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) será outro destaque esperado.
O contexto do balanço ajuda a entender o cenário: a carteira de crédito expandida do BB atingiu R$ 1,29 trilhão no 2T25, com avanço de 11,2% em 12 meses, mostrando resiliência apesar da deterioração da carteira agrícola, que chegou a R$ 400 bilhões. O índice de capital principal (CET1) estava em 10,97%, em queda desde meados de 2024, o que explica a estratégia de preservação de capital e a política mais cautelosa de distribuição de lucros.
O resultado de 12 de novembro virá na reta final da temporada de balanços da B3, uma semana após o Itaú Unibanco (previsto para 5 de novembro). O foco do mercado estará menos no crescimento da carteira e mais na estabilização do custo de crédito e da inadimplência, pontos que indicarão se o Banco do Brasil pode voltar a uma trajetória de rentabilidade mais sólida.