Nos Estados Unidos, o Federal Reserve reduziu a meta dos Fed Funds em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75% a 4,00%, em decisão de 29 de outubro. O comunicado indicou que as próximas deliberações dependerão da evolução da inflação e do mercado de trabalho. O corte foi descrito pelo Comitê como uma medida de calibração, sem sinalização de início de um ciclo de afrouxamento monetário. As curvas de juros reagiram com leve elevação, e as probabilidades de novo corte em dezembro diminuíram.
O período foi marcado também por negociações diplomáticas entre Estados Unidos e China, que resultaram na manutenção de parte das tarifas sobre produtos industriais, com possibilidade de revisões graduais. A medida reduziu a percepção de escalada tarifária. No campo bilateral, o encontro entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva representou um gesto de reaproximação diplomática entre os dois países, mas sem anúncios ou medidas concretas até o momento.
Panorama dos Mercados
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3,94% |
4,32% |
0,08% |
3,2% |
1,9% |
2,5% |
10,4% |
46987 |
| NASDAQ |
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-8,21% |
0,85% |
9,56% |
6,57% |
3,70% |
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5,6% |
4,7% |
19,1% |
23005 |
| S&P 500 |
2,70% |
-1,42% |
-5,75% |
-0,76% |
6,15% |
4,96% |
2,17% |
1,9% |
3,5% |
2,3% |
14,4% |
6729 |
Fonte: Plataforma DataBay
No mercado acionário americano, as maiores empresas de tecnologia divulgaram resultados trimestrais com lucros acima das estimativas, o que contribuiu para o desempenho dos índices no mês. O Dow Jones encerrou outubro com alta de 2,5% (+10,4% no ano), o S&P 500 subiu 2,3% (+14,4%) e o Nasdaq, 4,7% (+19,1%).
Na Europa, o Banco Central Europeu manteve a taxa de referência inalterada em 30 de outubro. A inflação da área do euro atingiu 2,1%, próxima à meta. O bloco segue com crescimento limitado e sujeito aos efeitos das sanções energéticas à Rússia.
Na China, os indicadores industriais permaneceram em zona de contração pelo sétimo mês consecutivo, e o setor imobiliário continua em processo de reestruturação financeira. Esses fatores mantêm a incerteza sobre a trajetória de crescimento global.
Mercado brasileiro
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No ano |
Fechamento |
| IBOV |
4,86% |
-2,64% |
6,08% |
3,69% |
1,45% |
1,33% |
-4,17% |
6,28% |
3,40% |
2,26% |
28,08% |
154.064 |
| IBXX |
4,92% |
-2,68% |
5,94% |
3,33% |
1,70% |
1,37% |
-4,18% |
6,23% |
3,47% |
2,10% |
27,71% |
65.089 |
| IBXL |
4,82% |
-2,79% |
5,96% |
2,55% |
1,26% |
1,46% |
-3,93% |
6,15% |
3,44% |
2,11% |
26,41% |
25.801 |
| IDIV |
3,50% |
-2,78% |
5,52% |
3,88% |
1,31% |
1,76% |
-2,97% |
5,36% |
2,82% |
1,78% |
24,48% |
10.999 |
| BDRX |
-4,23% |
-2,80% |
-9,44% |
0,21% |
7,94% |
1,55% |
6,15% |
-0,63% |
3,96% |
5,90% |
3,42% |
24.666 |
| SMLL |
6,11% |
-3,87% |
6,73% |
8,47% |
5,94% |
1,04% |
-6,36% |
5,86% |
1,58% |
0,43% |
28,53% |
2.112 |
| IFIX |
-3,07% |
3,34% |
6,14% |
3,01% |
1,44% |
0,63% |
-1,36% |
1,16% |
3,25% |
0,12% |
15,41% |
3.597 |
| IFNC |
10,83% |
-3,11% |
9,08% |
9,27% |
1,56% |
1,52% |
-7,91% |
8,26% |
4,23% |
0,18% |
41,69% |
16.762 |
| ICON |
1,87% |
-5,51% |
12,27% |
12,67% |
2,37% |
-1,78% |
-8,83% |
8,29% |
1,49% |
0,45% |
26,81% |
3.084 |
Fonte: Plataforma DataBay
No Brasil, o comportamento dos ativos refletiu tanto o cenário externo quanto as condições internas. O Ibovespa encerrou outubro em 149.540 pontos, com variação de 2,26% no mês e 28,08% no acumulado de 2025 até o presente momento. O IFNC registrou 0,18% (+41,69% no ano), seguido pelo SMLL (+0,43%, +28,53% no ano) e pelo ICON (+0,45%, +26,81%). O BDRX, que acompanha os BDRs de empresas estrangeiras, apresentou alta de 5,90% (+3,42% no ano). O IFIX teve estabilidade, com 0,12% em outubro e 15,41% no acumulado.
A curva de juros doméstica manteve estabilidade nos vértices curtos e redução discreta nos médios e longos, entre 15 e 25 pontos-base. O Banco Central reiterou, em seu comunicado de 5 de novembro, que o atual patamar dos juros é compatível com o objetivo de convergência da inflação à meta. As projeções para 2025 e 2026 permanecem acima do centro da meta, e a autoridade monetária considera adequada a manutenção de política contracionista por período prolongado.
O quadro fiscal de 2025 continua marcado por desequilíbrio estrutural e pela limitação do espaço orçamentário. Segundo dados do Tesouro Nacional, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 14,5 bilhões em setembro, acumulando saldo negativo de R$ 100,4 bilhões nos nove primeiros meses do ano. A receita líquida apresentou crescimento real de 3,5%, impulsionado por ganhos em Imposto de Renda, IOF e arrecadação previdenciária, enquanto as despesas avançaram 2,8% em igual período, refletindo o aumento de benefícios previdenciários, assistenciais e da folha de pessoal. O resultado indica que o esforço de controle de gastos tem se concentrado em despesas discricionárias, sem alteração significativa na dinâmica dos gastos obrigatórios.
De acordo com o IPEA, o déficit primário consolidado do setor público permanece em torno de 1% do PIB, e a dívida bruta estabilizou-se em patamar próximo a 77% do PIB, mas com tendência de elevação gradual. O comportamento das contas públicas evidência que o equilíbrio fiscal segue dependente de receitas extraordinárias e de medidas pontuais de recomposição tributária, enquanto a consolidação de médio prazo depende do avanço de propostas ainda em tramitação. A incerteza em torno da execução orçamentária e da revisão das metas fiscais reforça a percepção de que a política fiscal continua sendo um dos principais elementos de cautela na avaliação de risco doméstico.
Em perspectiva, a evolução dos mercados brasileiros continuará condicionada à capacidade do país em promover ajustes estruturais de caráter fiscal. A sustentabilidade das contas públicas e a previsibilidade das regras de gasto permanecem como variáveis centrais para o comportamento dos ativos domésticos. Sem avanços concretos nessa frente, tende a prevalecer um ambiente de aversão a risco e pressão vendedora, independentemente do cenário eleitoral de 2026. A consistência do ajuste fiscal — mais do que o resultado pontual de arrecadação — será o fator determinante para a redução do prêmio de risco e para a retomada de um ciclo de valorização sustentável no médio prazo.
*Colaboraram no artigo Guilherme Carter, que é economista e especialista em finanças, com carreira dedicada à análise de mercados e inovação em investimentos. Mestre pela FGV-EESP, é professor de Finanças na FGV e coordenador dos programas de Finanças da FBNF. Também é Managing Director da DataBay, fintech de inteligência de dados para o mercado de capitais, e presença constante em debates na mídia sobre economia, renda fixa e investimentos.