Para o banco, o papel ainda carrega assimetria positiva caso o risco-país se comprima na aproximação das eleições de 2026, movimento que, somado ao crescimento da produção no Campo de Búzios, pode reforçar o fluxo de caixa livre (FCF) e favorecer um rerating do papel. As projeções indicam rendimento FCF de 9,7% em 2026 e 13,8% em 2027, com dividendos estimados em 10,4% e 13,3%, respectivamente.
O novo plano traz, segundo o BTG, o desafio de conciliar força operacional com restrição financeira. A petrolífera elevou novamente a curva de produção, chegando a 2,5 milhões de barris/dia em 2026, ante 2,4 milhões anteriores, mas manteve capex (investimento) elevado, agora com pico em 2027, puxado por Búzios.
Mesmo em cenário otimista de Brent a US$ 70 e câmbio de R$ 5,80, os altos custos de leasing e a migração de plataformas afretadas para próprias empurram o Brent de equilíbrio para a faixa entre US$ 59 US$ 63, o que pressiona a alavancagem e faz os dividendos ordinários superarem o FCF em 2026. Para o analista Gustavo Cunha, a menor atratividade dos rendimentos em 2026-2027 torna o papel mais dependente de compressão do risco-Brasil, apesar do sólido momentum operacional.
A vantagem em remuneração ao acionista também encolheu, afirma Cunha. Com o ciclo de investimentos mais pesado, o prêmio de retorno da Petrobras recuou, e qualquer desvio para aquisições fora do core pode diluir esse retorno.
Na visão do BTG, com o Brent perto de US$ 60, a companhia precisa sustentar um retorno cerca de cinco pontos porcentuais acima dos pares para continuar competitiva; abaixo disso, o apelo do papel se enfraquece, mesmo negociado a múltiplo valor da empresa sobre Ebitda descontado.
O BTG avalia que o plano de negócios depende fortemente do preço do petróleo. Para preservar os três pilares – autofinanciamento, política de dividendos e teto de dívida bruta -, o Brent deve girar em torno de US$ 65. Outro fator decisivo, afirma a casa, é a capacidade de produzir acima do próprio guidance, visto pelo mercado como conservador.
No curto prazo, porém, o espaço de manobra se estreita. O BTG calcula que cerca de 60% do Ebitda (lucro antes de juros, depreciação, amortização e impostos) de 2026-2027 será consumido por obrigações financeiras e pelo capex. A casa resume o quadro: o plano é operacionalmente robusto e estrategicamente coerente, mas o sucesso da Petrobras (PETR3; PETR4) depende de o petróleo não ficar abaixo do nível de equilíbrio por período prolongado.