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Direto da Faria Lima

O plano do Family Office do Patria para conquistar 10% do mercado nacional de gestão de patrimônio

Tera Capital quer bater R$ 40 bilhões sob gestão até 2030, sem perder a qualidade do serviço hoje prestado a 14 famílias; aquisições na América Latina estão no radar

Por Luíza Lanza

20/01/2026 | 9:37 Atualização: 20/01/2026 | 9:37

Em ordem: André Penalva, Ana Paula Rizzo, João Paulo Vaz, Fábio Vidigal, Sérgio Mattar e Jonas Rinaldelli, da TERA Capital. FOTO: Felipe Rau/Estadão
Em ordem: André Penalva, Ana Paula Rizzo, João Paulo Vaz, Fábio Vidigal, Sérgio Mattar e Jonas Rinaldelli, da TERA Capital. FOTO: Felipe Rau/Estadão

A TERA Capital nasceu em 2015 para gerir o patrimônio dos quatro sócios fundadores do Patria Investimentos. Aos poucos, foi aceitando novos clientes até atingir os atuais R$ 12 bilhões em ativos sob gestão. Agora, a meta é atingir R$ 40 bi em AuM (assets under management) até 2030 e se consolidar como o family office de referência no País.

Leia mais:
  • Os planos para 2026 da gestora que triplicou de tamanho em 2025 com ETFs
  • A estratégia da Manchester Investimentos para chegar a R$ 100 bilhões sob custódia
  • A armadilha da renda fixa: por que o CDI engana e empurra fortunas de famílias para o exterior em 2026
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O termo “referência” é utilizado pelo CEO Fábio Vidigal para ilustrar o objetivo de não ser só uma vitrine para o mercado de multi family offices brasileiro, mas um ponto de apoio na vida dos clientes ultra high net worth, aqueles com patrimônio acima de R$ 300 milhões. “Temos uma expertise na parte de investimento, mais ainda na parte internacional, que é difícil em outras casas. E entendemos que para esse cliente é necessário uma oferta global de serviços, com uma visão multigeracional”, diz.

Mas o caminho para mais do que duplicar o patrimônio sob gestão não vem necessariamente de ampliar a base de clientes – hoje, são 14. E sim de escalar o patrimônio que já está dentro de casa.

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Assim, a TERA não perde o o DNA de serviço boutique, feito no acompanhamento dos investimentos, mas também da vida tributária e familiar dos clientes. “A escalabilidade acaba tendo um impacto negativo na qualidade quando se tem um número muito grande de clientes. Não perdemos isso de foco, não é R$ 40 bilhões a qualquer custo”, destaca o sócio-executivo Jonas Rinaldelli.

Para conseguir essa dobradinha – manter a qualidade do serviço e crescer –, desde 2024 o escritório vem reforçando o time com a chegada dos sócios João Paulo Vaz, CIO e responsável pela gestão global de portfólios de longo prazo; e Sérgio Mattar, especializado em clientes ultra high net worth. No ano passado, a TERA trouxe André Penalva como sócio sênior e head of international affairs, que ficará no escritório em Nova York para reforçar a ponte com o mercado americano, um dos focos da alocação. Hoje, cerca de 85¨% dos ativos são investidos no exterior.

Aquisições também não estão fora do radar. O foco é a América Latina, em mercados como Chile, Peru e Colômbia.

Nos investimentos, private equity e FIDCs

Na gestão de fortunas, a alocação costuma ter um objetivo único: perpetuar o patrimônio dos clientes por gerações. Cada casa adota uma estratégia específica, mas, no geral, é preciso construir uma carteira de investimentos que sobreviva por diversos ciclos econômicos.

Na TERA, essa descorrelação de riscos vem em grande parte de investimentos alternativos, principalmente o private equity. O MFO tem cerca de 25% do portfólio na classe, com um programa próprio que prevê investimentos mínimos de US$ 70 milhões por ano, uma carteira que já soma US$ 600 mi e um advisor externo contratado para monitorar a gestão dos fundos investidos e dados desse mercado.

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Via private equity, a casa consegue acessar empresas maduras, de setores da economia relevantes, mas que não estão presentes na Bolsa. Fugindo da concentração dos índices de ações, como o S&P 500 ou o Nasdaq. “O investimento privado beneficia pela capacidade de capilaridade do investimento, diversificando o portfólio de maneira muito estratégica. A ideia do programa não é apostar em um ambiente, em um ano, mas a cada safra pesar a mão em alguma subclasse de private equity para conseguir entregar um portfólio que capture o melhor tipo de retorno para o cliente”, explica Sérgio Mattar.

É ao contrário, como o João bem colocou, tem uma série de empresas que estão no setor privado, que não conseguem se tornar público. Não estão listadas, é um estágio muito maduro, cobrindo alguns setores da economia e tecnologia, que não estão presentes na Bolsa. Quando você compra o S&P, você não captura nada disso. O investimento privado, ele te beneficia justamente por essa capacidade de capilaridade.

Não é como se a casa não tivesse nada de Brasil nas carteiras. No país da renda fixa, é o crédito privado que chama a atenção, mas com a seletividade para não expor os clientes a qualquer risco; especialmente ao risco ruína.

Com os spreads dos títulos de dívida corporativa muito comprimidos, a casa prefere originar o próprio crédito via Fundo de Investimento em Direitos Creditório (FIDCs). Assim, corta o intermediário, em uma estrutura eficiente em termos de tributação, mas com controle total do portfólio, podendo fazer o batimento das carteiras, monitorar os movimentos de cessão e a liquidez, o que reduz a possibilidade de exposição a fraudes.

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As cotas subordinadas e mezanino ficam com os clientes. As sênior, com institucionais, com aportes de nomes como Itaú e Bradesco – uma via positiva de mão dupla para a TERA, já que, além do dinheiro, o aporte dos institucionais trazem credibilidade ao trabalho que está sendo feito.

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