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Investimentos

Safra vê virada no setor de celulose em 2026, com Suzano (SUZB3) como favorita e papel como proteção

Banco adota "otimismo cauteloso" e projeta recuperação gradual da celulose, com seletividade entre as empresas

Por Isabela Ortiz

12/01/2026 | 10:03 Atualização: 12/01/2026 | 10:18

Produção de celulose: Safra avalia que o setor se aproxima de um fundo cíclico e vê 2026 como ponto de inflexão, com Suzano mais exposta ao ciclo e Klabin como opção defensiva. (Foto: Adobe Stock)
Produção de celulose: Safra avalia que o setor se aproxima de um fundo cíclico e vê 2026 como ponto de inflexão, com Suzano mais exposta ao ciclo e Klabin como opção defensiva. (Foto: Adobe Stock)

Depois de um 2025 difícil para as ações de celulose, o Banco Safra enxerga sinais claros de inflexão no horizonte. A avaliação da casa é de “otimismo cauteloso” para 2026, com a expectativa de que o setor consiga reverter o mau desempenho recente, sustentado por uma recuperação gradual dos preços da celulose e por uma leitura mais defensiva do segmento de papel.

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Nesse cenário, a Suzano (SUZB3) aparece como a principal aposta para capturar um novo ciclo de alta, enquanto a Klabin (KLBN11) se destaca como uma alternativa de proteção caso o mercado de celulose frustre expectativas.

O Safra lembra que 2025 foi marcado por uma combinação desfavorável de fatores: dólar mais fraco e preços internacionais pressionados derrubaram o valor das ações.

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A Suzano acumulou queda próxima de 17% no ano, a Klabin recuou cerca de 14% e a CMPC perdeu aproximadamente 11%.

Ainda assim, o banco espera que “essa tendência se inverta”, sustentando uma visão positiva para o setor até 2026. A leitura é que o mercado se aproxima de um fundo cíclico, abrindo espaço para recuperação tanto operacional quanto de valuation (o valor de mercado de uma empresa ou negócio).

Os preços no mercado de celulose

No mercado de celulose, os analistas apontam que, após um ano volátil, os preços ficaram abaixo de US$ 600 por tonelada em grande parte de 2025, pressionados por riscos macroeconômicos e pela ausência de paradas programadas relevantes.

Agora, porém, o preço à vista em torno de US$ 564 por tonelada já estaria tornando cerca de 10% da capacidade global de celulose branqueada de fibra curta (BHKP) economicamente inviável, o que tende a forçar cortes de oferta, algo que não ocorreu no ano passado.

“Vemos o mercado próximo de um fundo cíclico”, afirma o Safra, destacando que a demanda chinesa mais firme e as manutenções programadas ajudam a sustentar os preços no curto prazo, em linha com anúncios recentes de reajustes.

Projeções do Safra para o ano

Para 2026, o banco projeta uma recuperação gradual, com o preço da celulose BHKP na China em US$ 574 por tonelada e o da celulose branqueada de fibra longa (BSKP) em US$ 701.

O movimento refletiria um reequilíbrio entre oferta e demanda, à medida que o crescimento da capacidade desacelera.

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Ainda assim, o Safra reconhece riscos estruturais, como o avanço da integração chinesa e a disponibilidade de cavacos de madeira, que podem limitar uma alta mais intensa.

A principal escolha para 2026

Dentro desse pano de fundo, a Suzano (SUBR6) segue como a principal escolha do banco.

Segundo o relatório, a companhia está “mais bem posicionada para um ciclo de alta do setor de celulose e papel”, já que cerca de 85% do seu EBITDA [Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização] está atrelado à celulose de fibra curta.

Além da exposição direta ao ciclo, o Safra chama atenção para a geração de caixa superior e para as avaliações atrativas: a ação negocia a 5,8 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) projetado para 2026 e a 4,9 vezes para 2027, abaixo da média histórica de cinco anos.

Com isso, o banco mantém recomendação de desempenho superior, preço-alvo de R$ 68 e retorno total estimado ao acionista de 33%, sustentado por um fluxo de caixa livre médio de cerca de 13% entre 2026 e 2028.

A Klabin (KLBN11), por sua vez, ocupa um papel complementar na estratégia do Safra.

Embora também se beneficie de um eventual ciclo de alta da celulose, a empresa se destaca sobretudo pela diversificação e pela resiliência do negócio de papel e embalagens.

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O banco reitera a recomendação de desempenho superior, com preço-alvo de R$ 23,90 e retorno total estimado de 28%, citando a melhora esperada nos resultados desses segmentos, impulsionada por um mix de vendas mais favorável e pela possibilidade de alta nos preços do kraftliner após fechamentos de fábricas nos Estados Unidos.

“A Klabin é nossa opção preferida no setor de Papel e Embalagens para proteção contra quedas caso os preços da celulose não atendam às nossas expectativas”, afirma o Safra, reforçando o caráter defensivo do papel.

Já a CMPC (empresa chilena negociada na Bolsa de Santiago) aparece como a menos atrativa entre os nomes cobertos na América Latina.

O Safra mantém recomendação neutra, citando desafios de alavancagem, menor retorno e riscos associados a um novo ciclo de investimentos.

A empresa negocia a múltiplos superiores à sua média histórica e apresenta um rendimento de fluxo de caixa livre projetado bem mais modesto, em torno de 4% entre 2026 e 2028.

“Os desafios de alavancagem e o carry [estratégia que empresta dinheiro em uma moeda com juros baixos e investe em outra moeda com juros altos)  relativamente baixo nos impedem de sermos otimistas”, resume o banco.

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A leitura do Safra é que 2026 pode marcar a virada para o setor de celulose, depois de um período prolongado de pressão.

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