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Mercado

Bancos veem riscos nos balanços de varejistas no 4T25; o que fazer com as ações?

Analistas esperam um trimestre seletivo, com desempenho variado para cada segmento do varejo

Por Beatriz Rocha

21/01/2026 | 9:52 Atualização: 21/01/2026 | 9:52

Varejo de vestuário pode trazer resultados pressionados no 4T25. Foto: Adobe Stock
Varejo de vestuário pode trazer resultados pressionados no 4T25. Foto: Adobe Stock

O quarto trimestre costuma ser um período relevante para as varejistas brasileiras, impulsionado pela Black Friday e pelo Natal, quando as vendas tradicionalmente ganham força. Em 2025, porém, o desempenho entre outubro e dezembro pode ter ficado aquém do esperado, levando analistas a reverem projeções e a adotarem uma postura mais cautelosa em relação aos resultados do setor.

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Na primeira semana de janeiro, as ações da C&A (CEAB3) afundaram 13,05% e lideraram as perdas do Ibovespa, com revisões de bancos para o balanço da empresa. O UBS BB cortou as estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 em cerca de 10% para R$ 511 milhões e R$ 566 milhões, respectivamente.

Incorporando um tráfego mais fraco em shoppings em dezembro, especialmente no período de Natal, o banco também estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 20 por ação CEAB3, contra os R$ 23 anteriores, mas reiterou recomendação de compra.
.
Quem também sofreu no mercado foi o Assaí (ASAI3), que chegou a tombar mais de 4%, após o Santander sinalizar a possibilidade de uma desaceleração nas vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) da empresa no quarto trimestre.

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A análise do banco se baseou em dados de vendas de dezembro da Scanntech, que apontaram para uma queda de 2,5% na comparação anual na atividade do varejo alimentar – número que ampliou para cinco meses consecutivos a tendência de deterioração no setor.

Já na última quinta-feira (15), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o volume de vendas do comércio varejista, que cresceu 1% em novembro frente a outubro, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,9%, com piso de queda de 1% e mediana positiva de 0,2%.

Naquele dia, a sessão foi mista para o varejo, com o Magazine Luiza (MGLU3) em disparada de 4% – após melhora nos dados de varejo de móveis e eletrodomésticos – e a C&A (CEAB3) em tombo de 5%, com um desempenho negativo para as vendas no segmento de tecidos, vestuário e calçados.

José Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos, explica que os dados do setor antecipam tendências, mas não substituem a leitura do balanço das companhias. Segundo ele, os dados de varejo do IBGE são relevantes como uma referência oficial de volume e receita na economia real.

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Já os indicadores de transações, como o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) e o Índice do Varejo Stone (IVS), funcionam como “pulsos” de curto prazo, úteis para captar uma eventual aceleração ou desaceleração do setor. Dados do Banco Central sobre condição financeira das famílias também são importantes, já que ajudam a definir o teto de consumo.

As projeções para o 4T25

Carol Sanchez, analista da Levante Inside Corp, avalia que o varejo encerrou o ano em um ambiente macroeconômico desafiador, marcado pela Selic em 15% ao ano e pela renda pressionada das famílias, fatores que restringem o consumo. “No 4T25, a desaceleração que começou a ficar mais evidente no terceiro trimestre se consolida, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito. Espero um trimestre mais seletivo”, afirma.

Em relatório, o BTG Pactual concorda que o período foi variado para cada segmento do varejo. No lado negativo, o setor de alimentos tem mostrado sinais visíveis de fadiga, com crescimento de vendas abaixo da inflação, o que pode se refletir nos resultados de Assaí e Grupo Mateus (GMAT3).

Já o vestuário, que se destacou positivamente no primeiro semestre de 2025, agora apresenta tendências mais modestas. O banco avalia que Lojas Renner (LREN3) e C&A devem mostrar números mais fracos.

No segmento farmacêutico, as expectativas são positivas. O BTG espera melhora nos resultados da RD Saúde (RADL3), com vendas em mesmas lojas (SSS) em crescimento anual de 11%. Para a Panvel (PNVL3) e Pague Menos (PGMN3), estima avanço de 13% e 17%, respectivamente, em SSS na comparação ano a ano.

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Outro destaque, para o banco, será a Smart Fit (SMFT3). O BTG espera alta anual de 26% na receita da empresa, ainda que impactada por um maior número de academias abertas apenas em dezembro do ano passado. Na visão do UBS, a alta concentração de aberturas em único mês deve pressionar a margem bruta e limitar a expansão da margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da Smart Fit. O banco, no entanto, considera a companhia sólida.

Além da empresa de academias, o UBS vê RD Saúde, Alpagatas (ALPA4) e Vivara (VIVA3) como nomes relativamente mais bem posicionados para o quarto trimestre. A farmacêutica ganha impulso com o maior dinamismo das “canetas emagrecedoras”, especialmente o Mounjaro.

Já a Vivara deve ter alta anual de 16% na receita bruta, impulsionada pelo e-commerce, enquanto a Alpargatas pode apresentar melhora sequencial da margem bruta no Brasil e menores perdas internacionais na comparação anual, de acordo com o UBS.

Expectativa de queda da Selic pode ajudar varejistas em 2026?

Especialistas apontam que a queda da Selic pode ser um gatilho relevante para o setor, mas não corrige todos os problemas. O consenso de mercado no Boletim Focus embute uma taxa básica de juros de 12,25% no fim de 2026.

Segundo Viana, da Blue3 Investimentos, investidores precisam ver três confirmações. “Um deles é o reflexo da queda da Selic no crédito. Outro consiste na estabilidade ou melhora de renda e emprego e, por último, um ambiente fiscal e político que não reabra prêmio de risco”, afirma.

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João Daronco, analista da Suno Research, aponta que a Selic mais baixa não só melhora o consumo, como também reduz as despesas financeiras de empresas que estão mais alavancadas. Mesmo assim, ele considera que 2026 ainda será um ano cauteloso. “Eu não tenho nenhuma varejista grande em carteira, prefiro ficar longe”, diz.

Um ano de eleições e Copa do Mundo

As eleições representam outro fator que pode mexer indiretamente com o setor em 2026. O tema costuma gerar volatilidade nos mercados, com efeito em câmbio e juros longos – canais que afetam o varejo via custo de capital e custo do crédito.

O período tende a ser mais desafiador para segmentos dependentes de parcelamento e poder de compra mais alto da população. Por outro lado, o varejo essencial deve sofrer menos. “O ano eleitoral não derruba o setor por definição, mas, quando o risco sobe, o mercado costuma ficar mais seletivo”, explica Viana.

Ainda em 2026, outro tema ganha destaque: a Copa do Mundo. O Santander avalia que o Grupo SBF (SBFG3) será o principal vencedor, com a demanda por camisas da seleção e itens de futebol. A procura por televisores e eletrodomésticos, antes e durante o período do torneio, também deve beneficiar Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza.

O banco, porém, vê impacto negativo do evento sobre as vendas totais do varejo, em razão da redução do fluxo de clientes nas lojas em dias de jogos. C&A, Guararapes (GUAR3) e Lojas Renner podem ser as mais prejudicadas.

As ações favoritas do varejo

Para o BTG, o segmento farmacêutico continua a mostrar resiliência superior em relação ao varejo como um todo. Além de representar um consumo essencial, o setor se beneficia da expansão das “canetas emagrecedoras”.

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O banco avalia ainda que empresas com maior exposição a consumidores de alta renda se destacam, enquanto o vestuário de massa enfrenta dificuldades. “Mantemos uma postura seletiva, com RD Saúde, Pague Menos, Smart Fit, Vivara e Track&Field (TFCO4) como nossos nomes preferidos”, destaca.

Sanchez, da Levante, também indica Vivara e Smart Fit como seus nomes preferidos do varejo, por serem empresas estruturalmente resilientes e menos dependentes de crédito, com vetores de crescimento.

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