Na outra ponta, 3% consideram a decisão de cortar juros em janeiro “neutra”, 21,2% a veem como “questionável”, podendo comprometer o processo de convergência da inflação à meta, e 7,6% consideram que isso seria um “erro de política monetária”, dada a persistência dos riscos inflacionários.
A pesquisa do BTG foi realizada com 66 participantes do mercado entre os dias 26 e 27 de janeiro, véspera da divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Os participantes são majoritariamente gestores de carteiras, traders, economistas e estrategistas de instituições financeiras.
Na avaliação dos respondentes, o tom do comunicado do Copom tende a ser predominantemente neutro, com parcela menor enxergando viés dovish (menos duro, propenso ao corte de juros). A maioria prevê ajuste marginal na frase em que o Banco Central (BC) avalia que a estratégia de manter a Selic em patamar contracionista é adequada e metade projeta a remoção total do trecho “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste”.
Em relação às estimativas do BC, 65% dos participantes esperam que a projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, permaneça em 3,2%, enquanto 31% projetam um patamar de 3,1% ou menos.
Para março, 68% dos respondentes projetam um corte de 50 pontos-base na Selic. Ao fim de 2026, as projeções estão distribuídas, mas convergem para o intervalo de 12% a 12,5%, somando cerca de 71% das respostas, o que manteria a política monetária em território contracionista ao longo do ano.
Os participantes também foram questionados sobre o cenário econômico: 53% avaliam que o contexto externo melhorou moderadamente para o processo de desinflação no Brasil. Internamente, a percepção sobre a dinâmica da inflação é positiva, com 47% apontando melhora moderada desde a última reunião. Já para a atividade econômica doméstica, 50% observam que não houve mudança relevante na evolução dos indicadores.
Quanto à inflação, a distribuição das expectativas reforça a leitura observada no Boletim Focus: 61% dos participantes projetam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 3,5% e 4,0% em 2026, 29% entre 4,0% e 4,5% e 11% abaixo de 3,5%. O balanço de riscos para essa projeção é avaliado como neutro por 47%, com 36% enxergando assimetria para baixo.
Sobre o câmbio, 53% dos respondentes projetam o dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,40 nos próximos 3 a 6 meses, com 41% enxergando apreciação para patamar abaixo de R$ 5,25. Na sessão desta quarta-feira (28), a moeda americana voltou a cair e virou para alta no meio da sessão, após bater o menor valor de encerramento desde 28 de maio de 2024 no último pregão.