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Mercado

Ibovespa hoje renova recorde em dia de decisão de juros no Brasil e nos EUA

A valorização do petróleo estimulou o índice local hoje. Veja como a Bolsa reagiu no pregão

Por Igor Markevich, Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

28/01/2026 | 4:30 Atualização: 28/01/2026 | 18:20

Ibovespa hoje operou de olho na decisão do Fed, após o índice renovar máximas históricas na sessão anterior. (Imagem: Adobe Stock)
Ibovespa hoje operou de olho na decisão do Fed, após o índice renovar máximas históricas na sessão anterior. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje avançou 1,52% aos 184.691,05 pontos, após bater máxima histórica aos 185.064,76 pontos mais cedo. O mercado repercutiu a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Mais tarde, chega a vez do Comitê de Política Monetária (Copom) ditar os rumos da Selic. 

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O Fed manteve as taxas de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado. A decisão não foi unânime. Dois dirigentes com direito a voto, os diretores Stephen Miran e Christopher Waller, divergiram da decisão.

Miran, que também ocupa a presidência do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e já criticou diversas vezes o nível elevado das taxas, votou por uma redução de 25 pontos-base. Waller, um dos cotados a substituir Jerome Powell na presidência do Fed, também votou pela redução nos juros no mesmo montante.

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Em coletiva após a decisão, Powell descartou dar sinalizações quanto ao rumo futuro dos juros nos Estados Unidos. De acordo com ele, as decisões se darão reunião a reunião.

“Estamos bem posicionados enquanto tomamos decisões reunião por reunião, analisando os dados que chegam, a perspectiva em evolução e tudo mais”, disse o presidente do Fed.

Conforme o dirigente, ainda há alguma tensão entre emprego e inflação, mas é menor do que antes. “Acredito que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa provavelmente diminuíram um pouco”, afirmou. “Então, estaremos analisando isso. Encontraremos nosso caminho à medida que os dados evoluírem”, disse.

Pata Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o comunicado da decisão de hoje mostrou que o Fed, antes mais preocupado com uma possível deterioração do mercado de trabalho, agora equilibra suas atenções com o controle da inflação. “Depois dos três cortes implementados desde setembro, os juros estão mais próximos das estimativas para o nível neutro, o que deixa a autoridade monetária mais confortável para esperar, analisar os dados e só então definir os próximos passos”, destaca.

Ibovespa em novo recorde

Na Bolsa local, a presença do investidor estrangeiro tem sido decisiva para os avanços do Ibovespa que, nesta reta final de janeiro, acumula ganhos de 14,22% em 2026. No acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 20,2 bilhões.

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A valorização do petróleo também ajudou a estimular o principal índice da B3 hoje. Ainda ficaram no radar os dados de produção de minério de ferro da Vale (VALE3) do quarto trimestre de 2025, com avanço de 6% em um ano e recuo de 4,2% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

No início da noite, o Copom deve manter a Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida. Entre 37 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 36 esperam que os cortes da Selic comecem depois de janeiro, sendo que 34 acreditam que será em março, enquanto duas instituições veem queda somente a partir de abril. Para apenas uma casa, porém, a flexibilização deverá começar em janeiro.

Para o Itaú, o Copom deve optar, por unanimidade, por deixar a Selic inalterada no nível atual de 15% ao ano. Na sexta-feira passada (23), o banco deslocou a projeção de um primeiro corte de 0,25 ponto porcentual no juro básico desta reunião para a de março.

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Dentre alguns dos fatores para o adiamento, o Itaú cita que o Copom quer ganhar mais confiança no processo de desinflação, em um ambiente de mercado de trabalho ainda resiliente. “Isso posto, seguimos acreditando que o início do ciclo de flexibilização está próximo. Em sua comunicação recente, o comitê demonstrou que está ganhando confiança de que sua estratégia está surtindo efeito”, acrescenta em nota o banco.

No câmbio, o dólar hoje subiu ante moedas fortes no exterior. No cenário interno, a moeda fechou praticamente estável, cotada a R$ 5,2066, contra o encerramento anterior de R$ 5,2067. Este é o menor nível de fechamento registrado pela divisa desde 28 de maio de 2024, então a R$ 5,1540.

Ibovespa hoje: os destaques desta Super Quarta (28)

Bolsas de NY têm direções opostas após decisão do Fed

O sinal foi misto nos índices de Nova York após a decisão do Fed. A reunião do banco central americano ocorreu após o Departamento de Justiça dos EUA abrir uma investigação criminal sobre o depoimento de Powell ao Congresso, aumentando temores de interferência política no Fed.

Na Europa, as Bolsas fecharam majoritariamente em queda. Entre as empresas, as ações da LVMH despencaram 0,71% em Paris, pressionando o setor de luxo, após a divulgação do balanço trimestral da companhia.

Entre os metais, o ouro fechou em alta nesta quarta-feira pela sétima sessão consecutiva, subindo acima de US$ 5.300 pela primeira vez. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para fevereiro encerrou em alta de 4,35%, a US$ 5.303,60 por onça-troy. Na máxima do dia, o metal dourado chegou a ser cotado a US$ 5.323,40. Já a prata para março avançou 7,15%, a US$ 113,53 por onça-troy.

Vale (VALE3) tem produção de minério acima da esperada no 4T25

A Vale (VALE3) divulgou na noite de terça-feira (27) seu relatório de produção e vendas do quarto trimestre de 2025, em um momento de forte valorização das ações e de leitura mais cautelosa por parte dos analistas.

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Nos últimos doze meses, os papéis da mineradora acumulam alta de cerca de 76%, movimento impulsionado pela recuperação dos preços do minério de ferro, fluxo estrangeiro para ações brasileiras e pela percepção de um equity story (narrativa estratégica de uma empresa) mais disciplinado em capital e focado em retorno ao acionista. Leia a reportagem completa.

Agenda econômica do dia

A decisão sobre juros do Comitê de Política Monetária (Copom) sai após o fechamento dos mercados, assim como os balanços da Meta (M1TA34), Microsoft (MSFT34) e Tesla (TSLA34), que estão entre as “Sete Magníficas”, ou maiores techs americanas.

Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agendas na Cidade do Panamá, onde participou do Fórum Econômico Internacional da América Latina e fez uma visita de Estado ao presidente do Panamá, José Raul Mulino.

Pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 50 mil contratos de swap cambial ofertados nesta quarta-feira, em leilão para rolagem dos contratos com vencimento em 2 de março de 2026. O montante ofertado equivale a US$ 2,50 bilhões, e foi dividido em dois vencimentos.

A autarquia vendeu 10 mil contratos, ou US$ 500 milhões, para o vencimento de 4 de maio de 2026. Três propostas foram aceitas, e a taxa de corte do leilão ficou em 4,8170. Os outros 40 mil contratos, ou US$ 2 bilhões, foram vendidos para o vencimento de 1º de junho de 2026. Nove propostas foram aceitas, e a taxa de corte foi de 4,8180.

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No exterior, o Banco do Canadá (BoC, na sigla em inglês) manteve inalterada sua taxa básica de juros a 2,25% ao ano. O movimento repetiu a reunião anterior, em dezembro, quando a instituição manteve os juros inalterados. O BC, porém, alertou que a perspectiva é vulnerável a políticas comerciais imprevisíveis dos EUA e riscos geopolíticos.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

*Com informações de Maria Regina Silva, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast

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