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Bitcoin a US$ 20 mil? Essa é a projeção de alguns e, mesmo assim, ainda vale a pena

Histórico de correções, papel da MicroStrategy e a matemática do risco x retorno entram no radar dos investidores de cripto

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Bitcoin pode chegar a US$ 20 mil? Análise avalia ciclos históricos, impacto da MicroStrategy e a relação risco x retorno para o investidor de longo prazo. (Imagem: Adobe Stock)
Bitcoin pode chegar a US$ 20 mil? Análise avalia ciclos históricos, impacto da MicroStrategy e a relação risco x retorno para o investidor de longo prazo. (Imagem: Adobe Stock)

Parece exagero falar em bitcoin a US$ 20 mil, mas a verdade é que, a cada 4 anos, em média, é possível ver um movimento de queda mais forte, que leva à zeragem de operações alavancadas, à desistência de alguns “holders” e até a mudanças na narrativa por parte dos fanáticos.

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Como sempre falo em relação a investimentos, ninguém sabe o futuro e, se alguém te prometer ou afirmar algo com muita convicção, fuja. Aqui o caso não é diferente e, por isso, não vou usar este espaço para falar sobre para onde vai, mas sim sobre passado e comportamento atual e, principalmente, sobre a relação risco x retorno.

Enquanto escrevo este artigo, o Bitcoin está cotado a US$ 75 mil, depois de testar os US$ 125 mil no ano passado e cravar, pela primeira vez na história, um ano com retorno negativo em ano de halving — aquele momento que ocorre geralmente a cada 4 anos, em que as recompensas em bitcoins são cortadas pela metade até, eventualmente, acabar a emissão de novos bitcoins.

Do mesmo jeito que, no ano passado, os compradores usavam o passado como justificativa para avaliar o bitcoin em valores acima dos que estavam no momento, desta vez vemos os vendedores se justificando com dados históricos para trazer projeções como a do título que provavelmente chamou sua atenção.

Em 2012, o BTC começou um movimento de forte alta, saindo de US$ 130 para finalmente atingir os primeiros US$ 1.000, mas, em menos de 2 anos, o comportamento foi de destruição de valor de quase 80%, fazendo a cotação voltar aos US$100.

Depois desse movimento, o BTC (bitcoin) iniciou um ciclo de alta que durou 1.450 dias e, já em meados de 2017, a cotação já atingia US$ 19 mil. No fim desse ciclo, queda de 82% e a cotação de volta para os US$2.800.

Vamos para mais um ciclo de alta, agora de 1.430 dias, com a cotação atingindo US$ 65 mil em meados de 2021. Pouco tempo depois… sim, você acertou: queda novamente de 75%, trazendo o BTC para US$ 30 mil em meados de 2023.

Vamos agora para outros 1.430 dias de um novo ciclo de alta que culminou em 2025, com o BTC cotado a US$ 120 mil — máxima histórica até então. De lá para cá, a queda já acumula quase 35% e, se seguir o roteiro e coloque acima…

US$20 mil é o alvo para aqueles que acreditam em repetições de ciclo. Nesse caso, temos sempre uma queda de 75% a 80% depois de mais ou menos um ciclo de alta que tende a durar 1.430 dias. Nesse cenário, há muito espaço ainda para a queda do BTC e, segundo alguns, desta vez há um motivo ainda mais forte para acreditar que isso pode acontecer, e ele tem nome e sobrenome: Michael Saylor, empresário e fundador da MicroStrategy.

A MicroStrategy é basicamente uma empresa que pega dinheiro emprestado, emite ações e investe todo o dinheiro em compras de bitcoin. Atualmente, a empresa tem um total de 712.647 bitcoins, que equivalem a US$ 54,2 bilhões de dólares.

A existência dessa empresa e esse tipo de operação trazem uma certa ironia para o bitcoin: de um lado, um player que sempre compra muito e ajuda a manter um certo fluxo de compra para o ativo. Do outro, uma empresa alavancada em dívidas, com um único ativo de garantia que, se perder valor, será obrigada a vender e pode ser o maior influenciador para uma baixa mais forte da cripto.

Algo que os investidores olham muito é o preço médio das compras da MicroStrategy. Durante muito tempo, esse preço médio era muito inferior ao preço de mercado do BTC, mas, com a queda recente, a empresa passou a ter uma posição no prejuízo — com preço médio de US$76 mil versus preço atual de US$75 mil.

O problema é que, se você tem uma empresa com dívidas e seu ativo de garantia perde valor, talvez você seja obrigado a vender esse ativo. Um player desse tamanho, ao vender, pode pressionar o ativo para baixo, fazendo com que suas garantias valham menos e, aí, novamente, seja obrigado a vender mais ativos, e assim por diante.

Aqui eu já trouxe um pouco de um cenário “maior” do que apenas a análise de dados, como falei que traria, para justificar a crença de alguns de que o bitcoin pode buscar os US$ 20 mil ainda em 2026, seguindo o ciclo de correção como já tivemos no passado.

Já falei sobre isso no meu Instagram, @vmziara, e vou falar mais ainda esta semana, já que muita gente vem me pedindo por mais ideias e opiniões sobre o BTC, mas principalmente sobre alocação e cenário.

Quando me perguntam se vale investir ou não em bitcoin, eu faço sempre a mesma análise e reposto aqui, escrevendo para a posteridade:

Hoje, o BTC representa apenas 0,2% de todos os ativos no mundo, que giram em torno de US$ 900 trilhões. Até 2030, a projeção é que os ativos valham US$ 1,2 quatrilhão e, se até lá a exposição ao BTC sair de 0,2% para 0,4%, o mesmo deveria valer algo próximo a US$ 250 mil — ou seja, quase 4 vezes o valor atual em 4 anos. Essa é a minha matemática para avaliar risco x retorno.

Se for para US$ 20 mil, o percentual que ele representará na minha carteira será muito menor do que o atual e abrirá espaço para eu comprar mais um pouco, reavaliando a minha decisão inicial de percentual alocado para esse ativo.

O segredo para investir em BTC não é adivinhar o futuro, mas sim o percentual de alocação e a relação risco x retorno que você enxerga para o ativo.

Um abraço!

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