A principal exceção deve ser o Banco do Brasil (BBSA3). Diferentemente dos pares, a estatal deve apresentar novos provisionamentos e a continuidade da deterioração das carteiras de crédito, especialmente as do agronegócio. Esse movimento deve pressionar os resultados dos bancos tradicionais no período.
As projeções dos analistas indicam que o BB deve reportar um lucro líquido de R$ 4,1 bilhões no quarto trimestre de 2025. O volume, embora seja expressivo em termos absolutos, representa uma queda de quase 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com esse desempenho no radar, a soma dos lucros projetados para os bancos tradicionais tende a recuar 9,7% na comparação anual.
Segundo as estimativas, Santander (SANB11), Banco do Brasil (BBSA3), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) devem registrar juntos um lucro líquido de R$ 26,8 bilhões no último trimestre, contra os R$ 29,7 bilhões em igual período do ano anterior. Ainda assim, os analistas avaliam que os resultados devem indicar avanço da rentabilidade.
O Itaú (ITUB4) promete ser novamente o grande destaque desta temporada. O banco apresenta seus resultados referentes ao quarto trimestre do ano passado nesta quarta-feira (4), mas após o fechamento das negociações da Bolsa. As projeções apontam para um lucro líquido em torno de R$ 12 bilhões, o que representa um crescimento de 16% na comparação anual e de 6,3% em relação ao trimestre anterior.
Santander (SANB11)
O Santander Brasil abriu a temporada ao divulgar um lucro líquido recorrente de R$ 4,1 bilhões no 4T25, resultado que representa alta anual e veio em linha com as expectativas do mercado. O desempenho foi sustentado pela expansão das margens financeiras, crescimento da carteira de crédito e manutenção do controle da inadimplência, apesar de um ambiente ainda desafiador para o crédito no País.
No trimestre, o banco reportou avanço da rentabilidade, com Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) permanecendo em patamar elevado. As provisões seguiram sob controle, acompanhando a evolução da carteira, enquanto as receitas com prestação de serviços e seguros continuaram contribuindo positivamente para o resultado.
A carteira de crédito apresentou crescimento moderado, em linha com a estratégia mais seletiva do banco, priorizando produtos de maior retorno ajustado ao risco. Segundo a instituição, o foco segue sendo a melhora da qualidade dos ativos e a preservação da rentabilidade, mesmo em um cenário de desaceleração econômica gradual.
Itaú (ITUB4)
As expectativas para o Itaú Unibanco (ITUB4) são as mais otimistas para o setor. Tanto a Ágora Investimentos quanto a Genial Investimentos estimam um lucro líquido de R$ 12 bilhões para o quatro trimestre de 2025. O volume representa uma alta de 16% na comparação anual e de 6,3% em relação ao trimestre anterior.
“A elevada rentabilidade segue sustentada por forte geração orgânica de capital, crescimento consistente das receitas de juros com clientes, em ritmo superior ao das despesas administrativas e provisões, e pela disciplina na alocação de capital, permitindo a combinação de expansão operacional com pagamentos recorrentes de dividendos”, avaliam Eduardo Nishio e Ygor Bastos, da Genial.
Para 2026, as projeções também são otimistas. A dupla espera um crescimento de 11% do lucro líquido, mesmo diante de um cenário de início de ciclo de queda de juros. Esse desempenho, segundo analistas da Genial Investimentos, deve ser apoiado pela maior monetização do Super App (One Itaú), além de ganhos adicionais de eficiência operacional. “Estimamos uma leve expansão da rentabilidade do banco para o patamar de 25%”, acrescentam.
Bradesco (BBDC4)
O Bradesco (BBDC4) divulga seus resultados na quinta-feira (5), após o fechamento do mercado. O Itaú BBA projeta um lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, com um ROE de 15%. Além disso, a expansão de crédito, os níveis estáveis de inadimplência e o bom desempenho de serviços e seguros devem compensar os investimentos contínuos feitos pelo banco em despesas administrativas.
Já a Genial Investimentos espera uma evolução gradual da rentabilidade, sustentada pela continuidade da recuperação das receitas de juros e maior controle da inadimplência. A combinação desses elementos, na avaliação da casa, deve permitir ao Bradesco a entrega de um lucro líquido de R$ 6,42 bilhões, o que representa uma alta de 18,9% em igual período de 2024, com expansão do ROE para 14,6%.
“Acreditamos que o Bradesco deve dar continuidade à sua agenda de reestruturação, com fechamento de agências, redução de headcount, digitalização gradual do varejo massificado, maior foco em clientes de alta renda e busca por ganhos adicionais de eficiência e agilidade operacional”, ressaltam Nishio e Bastos.
Banco do Brasil (BBSA3)
O Banco do Brasil (BBSA3) divulga seus resultados financeiros no próximo dia 11, e deve apresentar o desempenho mais fraco entre os grandes bancos. Impactado pela crise na carteira de crédito do agronegócio, o Itaú BBA projeta um lucro de R$ 4,1 bilhões no trimestre, uma queda de quase 60% em comparação ao mesmo trimestre de 2024. A estimativa reflete a persistência de despesas com provisões tanto na carteira de crédito rural quanto nos segmentos de pessoas físicas e pequenas e médias empresas.
Já a Ágora Investimentos espera um crescimento de receita de 3,5% em relação ao trimestre anterior, com a expansão da carteira de empréstimos e das margens. A corretora prevê ainda a estabilização das despesas com provisões e um aumento nas taxas de despesas operacionais. Para o lucro, a estimativa é de aproximadamente R$ 4 bilhões.