Em relatório, eles destacam que o anúncio é decepcionante, pois indica que a empresa está com dificuldades para se desalavancar organicamente, além da diluição.
Para eles, os recursos implicariam numa desalavancagem de apenas 0,5 vez a relação entre dívida e o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, na sigla em inglês). Hoje esse indicador está em 2,4 vezes numa base anualizada, ou aproximadamente 5 vezes em base LTM.
Outro ponto destacado no relatório é sobre uma potencial operação de fusão e aquisição (M&A, da sigla em inglês). Os analistas do BTG avaliam que é possível especular que essa captação esteja ligada também a um potencial movimento. “No entanto, na nossa visão, o balanço patrimonial atual da empresa permanece relativamente restrito”, destacam.
Eles também apontam que embora a Medley esteja à venda, o valor estimado da operação seria de US$ 500 milhões, e a captação anunciada pela Hypera se mostra insuficiente.
Como se dá a oferta
Na operação anunciada pela empresa, serão emitidas 70,5 milhões de novas ações ao preço de R$ 21,25 cada. O valor representa um desconto de 10,7% em relação à média das negociações dos últimos 30 dias.
A captação final pode chegar a R$ 1,5 bilhão, e os acionistas controladores, que detém aproximadamente 50% da empresa, comprometeram-se a exercer integralmente seus direitos de preferência. Isso implicaria uma subscrição mínima de R$ 800 milhões.
O relatório do BTG indica, ainda, que além disso, a Votorantim (VOTS11), que faz parte do grupo controlador, anunciou que atuará como investidor âncora para quaisquer ações remanescentes, até R$1,0 bilhão. Na prática, isso significa que, se a empresa conseguir colocar apenas cerca de R$ 150 milhões com acionistas minoritários, a Votorantim absorveria o restante para completar o negócio.