De acordo com os relatórios do banco, as ações recuaram cerca de 3% após a divulgação das prévias operacionais, em meio à estimativa de um Ebtida (sigla em inglês para Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de aproximadamente R$ 290 milhões no quarto trimestre, valor cerca de 9% abaixo do consenso de mercado. Ainda assim, os analistas avaliam que não houve deterioração dos fundamentos da companhia.
Segundo o Santander, parte da pressão no período esteve ligada à postergação na compra e aplicação de defensivos agrícolas, que deslocou volumes do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026 e afetou a sazonalidade dos resultados. O banco também destaca paradas industriais relacionadas a ajustes operacionais na canola e à expansão da unidade de Ijuí.
No médio e longo prazo, a instituição mantém visão positiva para a companhia, apoiada principalmente no avanço dos projetos de etanol de milho e na expansão da rede de varejo até 2026. O banco aponta ainda que a canola segue como uma cultura atrativa para a empresa, apesar do período de aprendizado operacional, com margens estimadas em cerca de duas vezes as da soja.
Os analistas ressaltam que a logística representa uma vantagem competitiva relevante, com localização estratégica das plantas e acesso a múltiplas rotas de escoamento, incluindo a BR-158, a Ferrovia Norte-Sul, o porto de Barcarena e o potencial uso da hidrovia do Tocantins.
Além disso, o Santander avalia que a oferta de milho permanece ampla e em expansão, com excedentes relevantes em regiões como Porto Alegre do Norte, o que reforça o potencial de crescimento da capacidade produtiva. Como principal ponto de atenção, o banco cita o fornecimento de biomassa para os projetos de etanol, destacando que parte relevante do suprimento ainda precisa ser viabilizada, apesar de contratos já firmados.