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Investimentos

Resultado da Motiva (MOTV3) no 4T25 agrada analistas, mas ação cai na Bolsa; o que está acontecendo?

Números confirmam novo ciclo da ex-CCR, com avanço de margens, foco em rodovias e leitura positiva de XP e BTG

Por Isabela Ortiz

10/02/2026 | 14:05 Atualização: 10/02/2026 | 14:18

Motiva (MOTV3) encerra 2025 com balanço sólido, avanço de margens e foco em rodovias, reforçando a leitura positiva de XP e BTG para a ação. (Foto: Adobe Stock)
Motiva (MOTV3) encerra 2025 com balanço sólido, avanço de margens e foco em rodovias, reforçando a leitura positiva de XP e BTG para a ação. (Foto: Adobe Stock)

A Motiva (MOTV3) entregou um quarto trimestre de 2025 (4T25) que simboliza o fim de um ciclo e início de outro. O resultado divulgado na noite de segunda-feira (9) consolida um ano de transformação estratégica na companhia (antes conhecida como CCR), marcada pela saída de ativos não centrais, reorganização do portfólio e maior foco em eficiência operacional.

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Na avaliação de XP Investimentos e BTG Pactual, os números vieram sólidos e reforçam a leitura positiva para a ação, que, ao contrário das ponderações das casas, registrava queda de 0,58%, cotada a R$ 17,08, no início da tarde desta terça-feira (10).

Para Artur Horta, head de Análise da The Link Investimentos, o movimento tem muito mais relação com o ambiente de mercado e com realização de lucros do que com qualquer frustração com os números. “Estava caindo de manhã por conta de efeito de mercado mesmo, o mercado estava caindo. Os números vieram bem em linha com o esperado, muito próximos das projeções”, afirma.

Segundo o analista, a trajetória recente do papel ajuda a explicar o ajuste. “Esse movimento pode estar ligado ao fato de o papel ter subido bastante antes do resultado. Desde 21 de janeiro, ele teve uma arrancada relevante, então hoje pode estar tendo uma realização de lucros”, avalia Horta.

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No agregado, a empresa reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 2,7 bilhões no 4T25, alta de 24% na comparação anual. O número ficou em linha com o BTG e levemente acima da estimativa da XP.

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O desempenho da Motiva reflete, principalmente, “o sólido crescimento do Ebitda ano contra ano nos segmentos operacionais, com destaque para rodovias e mobilidade urbana”, impulsionado por menores despesas e eventos pontuais positivos, como o término das concessões da ViaOeste e de Barcas, afirmam os analistas da XP.

Já o BTG chama atenção para o fato de ser o primeiro balanço da empresa a refletir integralmente a segregação da plataforma de aeroportos, vendida ao longo de 2025.

“Por muitos anos criticamos os múltiplos ajustes nos resultados da companhia, que distorciam a leitura do lucro. Agora, esses ajustes trabalham a favor da simplificação”, afirma o banco, ao destacar que os resultados do 4T25 ajudam a tornar a Motiva uma empresa mais fácil de analisar.

Excluindo os efeitos contábeis da operação descontinuada de aeroportos, a receita líquida pro forma (sem obras ou construções) somou R$ 4,3 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda atingiu 63%, um salto relevante frente aos 54% registrados no 4T24, refletindo uma combinação de aumento de tarifas, resiliência do tráfego e disciplina de custos.

Rodovias e mobilidade urbana

No segmento de rodovias, a XP destaca que o tráfego total cresceu 2% ano a ano, ou 4% em bases comparáveis, beneficiado pela implementação do sistema free flow (pedágio livre) na Rota Sorocabana e pelo bom desempenho de concessões como RioSP, SPVias e AutoBAn. Ao mesmo tempo, a tarifa média de pedágio avançou 10% na comparação anual, apoiada por reajustes contratuais e reequilíbrios relacionados à pandemia de covid-19.

O BTG complementa essa análise ao observar que, mesmo diante de um pano de fundo macroeconômico um pouco mais fraco no Brasil em relação a 2024, o tráfego se mostrou resiliente. Nas rodovias, a receita líquida (ex-construção) cresceu 12% ano a ano, enquanto o Ebitda ajustado do segmento avançou 21%, com expansão de margem de 6,2 pontos porcentuais.

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Na mobilidade urbana, os números também surpreenderam positivamente. Embora o tráfego tenha ficado praticamente estável (alta de 1% em bases comparáveis, segundo a XP), o Ebitda ajustado cresceu expressivos 65% ano a ano, com margem de 66%. Esse salto foi explicado principalmente por ganhos de eficiência após o encerramento da concessão das Barcas e pela reversão de provisões tributárias em ativos como ViaQuatro e ViaMobilidade (linhas 5 e 17 no metrô, em São Paulo).

O BTG pondera que, do lado da receita, houve algum impacto negativo pontual no segmento. A receita líquida da mobilidade urbana caiu 4% ano a ano, pressionada pela queda de receitas financeiras em ViaQuatro, após a mudança no indexador contratual – de uma cesta com Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) para 100% Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o que reduziu receitas em cerca de R$ 63 milhões. Ainda assim, o banco avalia que a estabilidade da demanda e o controle de custos compensaram esse efeito no resultado operacional.

Investimentos e perfil da dívida da Motiva

Fachada da CCR (CCRO3), que agora responde por Motiva (MOTV3)
Motiva (MOTV3) é a antiga CCR e também a controladora da Autoban. (Foto: Adobe Stock)

Outro ponto de convergência entre os relatórios está no avanço da agenda de eficiência e na disciplina de investimentos. Os compromissos totais de capex (despesas de capital) da Motiva recuaram para cerca de R$ 56 bilhões, ante R$ 58 bilhões no trimestre anterior, refletindo maior execução de investimentos e a desconsolidação dos ativos de aeroportos. Para 2026, a companhia indicou um capex de R$ 8,3 bilhões, número considerado “sem surpresas” pela XP e em linha com a leitura do BTG.

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Segundo o banco, esse montante será direcionado majoritariamente para rodovias (R$ 7,2 bilhões), seguido por mobilidade urbana sobre trilhos (R$ 1,1 bilhão), além de iniciativas menores. O BTG também destaca que a empresa conseguiu antecipar sua meta de eficiência. Em 2025, o opex caixa (despesas operacionais) representou 37,5% da receita líquida ajustada, abaixo do teto de 38% originalmente previsto apenas para 2026.

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Apesar do nível de endividamento, o perfil da dívida é compatível com a geração de caixa esperada e com a nova configuração do portfólio.

“O mercado deve continuar monitorando a trajetória de expansão de margens e eventuais oportunidades adicionais de reciclagem de capital”, avalia o banco, que estima um potencial adicional de até R$ 5 bilhões em valor com novas iniciativas desse tipo.

Diante desse conjunto de fatores, as duas casas reiteram recomendação de compra para a ação.

Para o BTG, a Motiva negocia hoje a uma taxa interna de retorno real próxima de 10%, enquanto a XP enxerga nos resultados do 4T25 a confirmação de que a empresa entra em uma nova fase, mais focada, eficiente e previsível, exatamente o tipo de história que o mercado tende a premiar.

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