Os números estão no Relatório de Produção e Vendas da companhia, divulgado na noite desta terça-feira (10). Os dados funcionam como uma prévia do que esperar para o balanço trimestral do 4T25, que a estatal divulgará em 5 de março.
Os bancos avaliaram o resultado como sólido e em linha com as expectativas. A produção de óleo ficou estável, apesar de questões operacionais; a queda na utilização das refinarias foi em parte compensada por uma alta nas exportações de petróleo bruto.
A avaliação geral é que a estatal conseguiu manter desempenho resiliente, apesar da baixa do preço da commodity no período. Mas a queda de cerca de 7% no Brent nos meses finais do ano passado deve pesar no resultado trimestral da Petrobras. Para os bancos, os dados operacionais indicam que o balanço do 4T25 deve vir com uma redução no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e menos dividendos para os acionistas.
O BTG Pactual espera que os preços mais baixos do Brent gerem uma queda de 5% no Ebitda da Petrobras em comparação ao 3T25, para US$ 11,25 bilhões. E vê um risco de que os dividendos do período entre outubro e dezembro sejam menores do que o mercado espera – antes do Relatório de Produção e Vendas, o consenso indicava uma projeção de US$ 1,7 bilhão. O banco acha que os proventos virão na casa de US$ 1,2 bilhão.
“Com a habitual aceleração do capex de fim de ano (assumimos um capex de caixa de cerca de US$ 5,5 bilhões) e saídas de caixa extraordinárias de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, esperamos que os dividendos fiquem sob pressão”, dizem analistas do banco em relatório.
O BTG mantém recomendação neutra para os papeis da petroleira, com preço-alvo de US$ 15 para as ADRs (American Depositary Receipts), negociadas em Nova York.
O Itaú BBA vai mesma linha, ainda que mantenha o call de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 43, e faça projeções menores. Por causa da queda do petróleo, o banco estima um Ebitda de US$ 10,6 bilhões no 4T25, o que, se confirmado, representaria uma queda de 12% em relação ao trimestre anterior. Com essa redução, os dividendos ordinários serão de US$ 1,0 bi, segundo o BBA.
O Safra, por sua vez, projeta um Ebitda de US$ 10,9 bilhões e dividendos de US$ 1,5 bilhão.