De acordo com a agência, isso cria uma expectativa de que grande parte das emissões de empresas brasileiras no mercado local ocorram no primeiro semestre, sustentadas pelo excesso de liquidez e pela demanda sólida dos investidores. Entretanto, a agência de classificação de risco observa que o fluxo pode ser moderado pelo esperado afrouxamento monetário, que tende a reduzir a atratividade relativa da renda fixa e pressionar spreads (prêmios de risco) ao longo do ano.
A Moody’s diz ainda que o calendário eleitoral pode trazer algum grau de volatilidade, “embora com impacto menor em comparação a ciclos anteriores, dado o maior tamanho e maturidade do mercado local, que hoje apresenta maior resiliência a ruídos externos”.
“O fluxo deve seguir condicionado ao nível de juros. Caso o cenário macroeconômico apresente reversão consistente na trajetória da curva de juros, é possível que observemos uma inflexão gradual nesse comportamento, com reentrada em classes de maior risco, especialmente multimercados e ações”, afirma a Moody’s. “Contudo, enquanto a taxa básica permanecer elevada, o desenho dominante de entrada em renda fixa e saída de risco deve continuar prevalecendo”, acrescenta.
O boletim da Moody’s destaca o recorde de R$ 738 bilhões de captações por empresas no mercado de capitais do ano passado, superando a marca de R$ 713 bilhões de 2024, “refletindo a resiliência do mercado local de renda fixa”.
Captações no exterior avançam 58%
A Moody’s cita ainda o desempenho de captações de empresas brasileiras no mercado externo, que também registrou forte recuperação no ano passado, com crescimento de 58%, alcançando US$ 20,9 bilhões (desconsiderando as captações do Tesouro), maior volume desde 2021.
Apesar da expansão, a representatividade das captações externas ficou em 14% do total, abaixo dos 29% observados entre 2019 e 2021, observa a Moody’s. “Esse menor peso relativo reflete, sobretudo, o fortalecimento do mercado doméstico, que vem oferecendo profundidade, liquidez e prazos cada vez mais longos”, afirma a agência. “Ainda assim, o dado mostra uma recomposição gradual da janela internacional, superando a média recente de 9% entre 2022 e 2024”, acrescenta.