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Em relatório, a agência de classificação afirma que a decisão reflete o aumento dos riscos de refinanciamento, o enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo no médio prazo, caso não haja redução material do endividamento. A Fitch acrescenta que uma reestruturação de dívidas é possível e que desembolsos acima do previsto com contingências trabalhistas e tributárias continuam pressionando o caixa e a alavancagem.
Para uma eventual elevação do rating, o GPA teria de refinanciar a dívida de curto prazo em condições adequadas, fortalecer o FCF e diminuir a alavancagem – cenário visto como improvável pela agência sem capitalização relevante ou venda de ativos. Por outro lado, qualquer renegociação que piore as condições para credores pode acentuar a pressão negativa sobre a nota.
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Segundo o GPA, a empresa permanece “comprometida com seu Plano de Eficiência 2026, voltado à redução de despesas e investimentos, bem como à venda de ativos não estratégicos, com o objetivo de fortalecer a geração de caixa. Adicionalmente, a companhia segue em negociações para o refinanciamento de seu endividamento de curto prazo”.
“Tal atualização de rating não resulta em descumprimento de covenants (cláusulas contratuais em operações de crédito) previstos nos instrumentos de endividamento e contratos de financiamento da companhia”, afirma o GPA em fato relevante.
A Fitch destaca, porém, que a companhia enfrenta vencimentos de aproximadamente R$ 1,7 bilhão entre maio e julho de 2026 e que a disposição dos credores em alongar prazos e ajustar custos “é altamente incerta”.
Embora tenha captado R$ 940 milhões junto ao Rabobank, o acesso ao mercado de capitais segue restrito. O caixa atual, afirma a Fitch, tende a ser consumido para cobrir fluxos de caixa livres negativos. O GPA vem buscando monetizar ativos não essenciais, cortar investimentos e manter a rentabilidade, medidas que podem favorecer as negociações com bancos.
Nas projeções da Fitch, o FCF deve ficar negativo em 2,8% da receita líquida em 2026 e 1,6% em 2027, pressionado principalmente pelos juros da dívida e pelas contingências. A expectativa é de Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de R$ 1,7 bilhão, com margem de 8,8%, em 2026, subindo para R$ 1,8 bilhão e 9,1% em 2027. Possíveis receitas vindas da oferta de serviços financeiros nas lojas não foram incluídas, mas seriam positivas se usadas para abater dívidas.
Mesmo com reduções de despesa anunciadas de cerca de R$ 415 milhões para 2026, a alavancagem ajustada deve permanecer elevada: em torno de 4,8 vezes a dívida ajustada sobre o Ebitda e 4,3 vezes a dívida líquida ajustada sobre o Ebitda até 2027. Em dezembro de 2025, o passivo ajustado somava R$ 9,1 bilhões, dos quais R$ 2,7 bilhões no mercado de capitais, R$ 1,4 bilhão em empréstimos bilaterais, R$ 600 milhões em antecipações de recebíveis e R$ 4,4 bilhões em obrigações de aluguel.
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A agência destaca que a composição societária também mudou: a família Coelho Diniz passou a deter 24,6% do capital e a indicar metade do conselho de administração. A Fitch afirma ter pouca visibilidade sobre a estratégia de médio e longo prazos, mas considera positiva, no curto prazo, a revisão de investimentos e a racionalização de custos para conter a queima de caixa.
No cenário macro, o consumo no varejo alimentar deve seguir fraco em 2026, afetado pela perda de poder de compra, alto endividamento das famílias e inflação acumulada de 30% desde 2021. A concorrência aperta, estimulando migração do consumidor para produtos mais baratos. Nas marcas premium, porém, a rivalidade diminuiu diante das dificuldades financeiras de alguns concorrentes. A isenção de imposto de renda pode aliviar parte da pressão sobre o orçamento das famílias, mas a Fitch vê incerteza sobre o uso efetivo desses recursos.
Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast.
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