O restante das operações têm como base no risco do GPA, pois a rede de supermercados não captou diretamente os recursos, mas terceiros podem ter alugado imóveis para a rede, por exemplo. É uma operação comum em fundos imobiliários (FIIs) corporativos.
Daniel Magalhães, fundador da Vitrify, aponta ainda que enquanto as debêntures emitidas costumam estar nas mãos de investidores institucionais e coordenadores da oferta, como bancos, as operações indiretas são as que mais atingem as pessoas físicas, já que podem ser encontradas tanto em fundos de CRIs, os chamados fundos de papel, como em fundos de tijolo corporativos.
Enquanto as operações nos quais o GPA é devedor direto não costumam ter garantias, segundo dados da plataforma, as aplicações indiretas, com CRIs, já oferecem mais garantias para os investidores, aponta Magalhães, como fundo reserva, fundo de despesas, alienação fiduciária do imóvel, cessão fiduciária de recebíveis e aval de pessoa jurídica. “É uma boa notícia porque esses títulos não costumam estar incluídos em recuperações extrajudiciais. Portanto, o investidor está protegido contra um eventual calote no aluguel e até rescisões de contratos que possam ocorrer”.
Gestora mais exposta
Apontada por analistas do mercado como a gestora mais exposta aos CRIs do GPA, a TRX emitiu um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o impacto da recuperação extrajudicial em seus fundo TRX11. A gestora ressalta que o fundo possui um portfólio diversificado, composto por mais de 300 inquilinos. A exposição ao GPA representa aproximadamente 8% da receita do fundo.
A gestora explica que como o plano extrajudicial é voltado exclusivamente à renegociação de dívidas financeiras não operacionais, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões, esse processo não abrange obrigações operacionais, incluindo aluguéis, salários e pagamentos a fornecedores, os quais seguem normalmente, conforme divulgado pela própria companhia.
“Reforçamos que não há qualquer atraso no pagamento dos aluguéis devidos ao TRXF11 pelo GPA. As operações das lojas permanecem inalteradas, e o GPA destacou publicamente que a rotina operacional da empresa continua funcionando normalmente, sem impacto sobre aluguéis de lojas”.
A gestora aponta que os imóveis locados ao GPA no portfólio do fundo foram selecionados com base em sua elevada qualidade construtiva, localização estratégica e relevância operacional, características que conferem resiliência aos ativos mesmo em períodos de maior incerteza. Adicionalmente, afirma que todos os contratos celebrados com o GPA contam com garantias “robustas”.