Geralmente, a plataforma dá “circuit breaker” em pregões em que a volatilidade da curva de juros está muito alta. A interrupção das negociações acontece na esteira da maior intervenção do Tesouro Nacional no mercado secundário em 13 anos.
Entre a segunda (16) e a terça-feira (17), o Tesouro fez dois leilões de recompra e venda de títulos prefixados e atrelados à inflação, um saldo líquido que soma R$ 41,94 bilhões segundo cálculos da Warren Investimentos. O movimento teve como pano de fundo as incertezas trazidas pela escalada do conflito no Oriente Médio, mas foi acentuado por ordens de ‘stop loss’ para conter perdas, que fizeram os juros se deteriorarem mais do que os outros ativos domésticos de risco. Veja detalhes aqui.
Impacto da guerra
A volatilidade nas taxas do Tesouro está bastante elevada desde a virada de fevereiro para março, quando os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã e deram início o conflito no Oriente Médio.
O principal impacto até aqui ocorre no preço do petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, canal marítimo entre Irã e Omã por onde passa um quinto do petróleo do mundo. Essa incerteza a commodity bater o maior nível em quase dois anos. O barril Brent sobe 49% em março, enquanto o WTI tem alta de 45%.
Se a situação perdurar, isso pode gerar uma pressão inflacionária global, atrapalhando os ciclos de queda de juros em voga em muitas economias mundiais. Como mostramos aqui, isso já começa a acontecer.
Antes da guerra, era consenso que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciaria o ciclo de cortes da taxa Selic nesta quarta-feira (18) com um ajuste de 0,50 ponto percentual. Com os últimos acontecimentos, a expectativa caiu para um ajuste mais moderado, de 0,25 p.p. Há até quem defenda que o grupo deveria manter os juros a 15,00% ao ano nesta reunião, adiando os cortes para abril.
Tudo isso tem se refletido na curva de juros. Um levantamento do BGC Liquidez mostra que entre 02 e 13 de março as NTN-Bs abriram 46,5 bps. O maior impacto foi percebido nos títulos de vencimento intermediário, entre 2028 e 2035, que abriram 63,7 bps.
A curva do DI futuro também abriu significativamente, com uma alta de 89,15 bps entre 02 de 13 de março. As taxas que mais subiram foram as dos vencimentos 2028, 2029 e 2030.