Com isso, as projeções de inflação do BofA tiveram leve deterioração: para 2026, a estimativa subiu 0,50 ponto, para 3,9%, e para o horizonte relevante de política monetária (3º trimestre de 2027), avançou 0,10 ponto, para 3,3%, refletindo principalmente uma curva futura de petróleo menos favorável, apesar de um câmbio melhor nas premissas.
Mesmo com o aumento da incerteza, a leitura predominante é que a Selic, a taxa básica de juros, segue em patamar bastante contracionista, o que permitiria ao Copom manter cortes nas próximas reuniões sem comprometer a convergência da inflação.
O Banco Central do Brasil iniciou em março o aguardado ciclo de afrouxamento monetário ao cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual. No comunicado, o colegiado reconheceu que a escalada no Oriente Médio elevou o nível de incerteza, reforçando uma postura mais “dependente de dados” para calibrar os próximos movimentos.
Para Beker, o BC evitou um tom mais duro ao não piorar o balanço de riscos para a inflação e destacou que os efeitos da política monetária contracionista já aparecem na atividade, abrindo espaço para ajustes no ritmo dos cortes “à luz de novas informações”.