A avaliação considera, em especial, a queima de caixa observada no segmento de siderurgia e o aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros, o que reforça a importância da execução do plano de desinvestimentos da companhia, para redução do riscos envolvendo sua posição de liquidez e estrutura de capital alavancada.
Segundo a Moody’s Local Brasil, subsidiária da agência de classificação de risco Moody’s, a nota segue em revisão para rebaixamento, em continuidade ao processo de revisão iniciado em 20 de fevereiro de 2026 e incorporando as incertezas relacionadas ao processo de gestão de passivos da companhia.
No balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) a CSN reportou prejuízo líquido de R$ 721 milhões, resultado que mostra um número 748% acima dos R$ 85 milhões negativos anunciados em igual período de 2024. A companhia ainda reverteu o lucro líquido observado no trimestre imediatamente anterior, o que define como consequência do impacto da ociosidade operacional e perdas de estoques relacionadas à parada do alto-forno registrado no período.
Em 2025, a CSN viu sua dívida líquida bater em R$ 41,2 bilhões, levando o endividamento da companhia a 3,47 vezes, longe do teto aceitável no mercado financeiro, de 3 vezes.
Em teleconferência com investidores e analistas de bancos no dia 12 de março para apresentar o balanço do 4T25, Benjamin Steinbruch – principal acionista da CSN, presidente do Conselho de Administração e CEO – procurou amenizar o quadro financeiro. “O aumento da alavancagem foi pontual”, disse, citando os serviços da dívida (pagamento de juros) e o aumento dos investimentos da empresa.
Ele afirmou que o número será revertido já a partir deste primeiro trimestre de 2026 (1T26), com a melhoria prevista nos resultados da CSN e de suas controladas.
CSN coloca plano de desinvestimentos em ação
A CSN fez até aqui dois movimentos de vendas de ativos para estancar o avanço da dívidas, mas eles foram insuficientes.
No início de 2025 transferiu 11% de sua participação na CSN Mineração (CMIN3, de minério de ferro) para a sócia japonesa, a trading Itochu, por R$ 4,4 bilhões, e o dinheiro foi usado para reforçar o caixa. Ainda no final do ano, em operação “dentro de casa”, Steinbruch alienou 13% da participação da CSN na MRS, concessionária de ferrovia, para a própria mineradora por R$ 3,35 bilhões. Foi a forma de levar recursos do caixa da CMIN3, que estava capitalizada, para o caixa da controladora, a CSN.
O plano de redução do endividamento até R$ 18 bilhões foi lançado em 15 de janeiro e se baseia na venda do controle da cimenteira e de uma participação de até 30% de cada uma das holdings de infraestrutura (uma com ativos do Sudeste e outra do Nordeste) – veja mais detalhes aqui.
* Com informações do Broadcast