O presidente americano, Donald Trump, havia dado prazo até as 21h desta terça-feira (7) para que o Irã libere o Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo mundial é transportado. Em publicação na Truth Social, pela manhã, o republicano ameaçou que “uma civilização inteira morrerá hoje à noite, para nunca mais ser trazida de volta” e disse não que deseja esse desfecho, mas que ele “provavelmente” ocorrerá.
“Esse tipo de fala não apenas assusta, como paralisa o apetite por risco e é exatamente isso que estamos vendo refletido na queda das bolsas ao redor do mundo e, consequentemente, no Ibovespa”, afirma Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.
Relatos da mídia internacional de que tanto o Irã como os Estados Unidos estariam avaliando uma proposta de cessar-fogo de duas semanas, apresentada pelo Paquistão, resultaram em melhora do humor em Nova York e, por consequência, também na B3 na reta final de uma sessão marcada pelo petróleo negociado a até US$ 112.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,48% (US$ 0,54), a US$ 112,95 o barril. Já o Brent para junho recuou 0,45% (US$ 0,50), a US$ 109,27 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O desempenho misto da commodity e as negociações entre EUA e Irã pressionaram os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4), que oscilaram durante a sessão, mas fecharam em queda. As ações ordinárias encerraram em queda de 0,28%, a preço de R$ 53,56, enquanto as ações preferenciais caíram 0,88%, a preço de R$ 48,52. As demais petroleiras terminaram o pregão em alta.
Em Nova York, a S&P 500 encerrou a sessão em alta 0,09% e o Nasdaq avançou 0,10%, já o Dow Jones recuou 0,18% no fechamento. “A situação mantém-se fluida, com os dois lados [EUA e Irã] continuando a trocar retórica belicista”, escreveu o estrategista de mercado sênior da NYSE, Michael Reinking. “Há também relatos contraditórios sobre os esforços diplomáticos e sobre se essas linhas de comunicação permanecem abertas ou não”, listou.
O dólar hoje fechou em alta de 0,17%, a R$ 5,1550. “A escalada das tensões entre EUA e Irã — marcada por ultimato sobre o Estreito de Ormuz, rejeição de cessar-fogo por Teerã e ameaças diretas à infraestrutura energética — elevou o risco de disrupção na oferta de petróleo, reforçando a busca por proteção. Esse ambiente sustentou a valorização do dólar frente aos emergentes, com o real seguindo o movimento, mas com alta ainda contida enquanto o mercado aguarda novos desdobramentos”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Braskem (BRKM5), Rumo (RAIL3) e Drogasil (RADL3).
Braskem (BRKM5): 7,26%, R$ 9,01
As ações da Braskem (BRKM5) registaram a maior alta do Ibovespa hoje, após último pregão com intensa queda de 7,70%. Os papéis dispararam e encerraram a 7,26%, a preço de R$ 9,01.
A Braskem acumula alta de 28,48% no mês.
Rumo (RAIL3): 2,95%, R$ 16,40
Os papéis da Rumo (RAIL3) terminaram a sessão com valorização de 2,95%, a R$ 16,40.
A operadora de logística ferroviária tem alta de 11,59% na B3 desde o começo de 2026.
RD Saúde (RADL3): 2,25%, R$ 22,28
A RaiaDrogasil (RADL3) registrou alta de 2,25% nos papéis acionários, a preço de R$ 22,28.
Os papéis da empresa têm valorização de 20,58% desde abril de 2025.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizavam no dia foram MRV (MRVE3), Suzano (SUZB3) e Cyrela (CYRE4)
MRV (MRVE3): 9,45%, R$ 7,19
As ações da MRV (MRVE3) registraram a maior queda do Ibovespa hoje, encerrando o pregão com recuo de 9,45%, a preço de R$ 7,19.
A construtora acumula uma queda de 22,26% no mês, embora ainda registre uma alta de 50,63% no período de um ano.
Suzano (SUZB3): 6,39%, R$ 46,43
Os papéis da Suzano (SUZB3) terminaram a sessão com desvalorização de 6,39%, cotados a R$ 46,43.
A empresa do setor de papel e celulose apresenta uma retração de 15,46% em seus ativos na B3 no acumulado de um mês.
Cyrela (CYRE4): 5,65%, R$ 23,40
A Cyrela (CYRE4) registrou queda de 5,65% em seus papéis acionários, fechando o dia a R$ 23,40.
As ações da incorporadora acumulam uma desvalorização de 11,12% nos últimos 30 dias.
*Com Estadão Conteúdo