Corretora quer oferecer tecnologia própria para outras casas do mercado. (Arte: Victoria Fuoco/Imagens: Adobe Stock)
A Warren Investimentos entra em uma nova fase e quer se colocar no mercado como uma “wealth tech“. O movimento vem acontecendo de forma laboratorial dentro da corretora há pelo menos 18 meses, mas agora está estruturado para angariar novos clientes e permitir que o negócio expanda o serviço de gestão para parceiros via B2B.
A casa está vendo o mercado finalmente chancelar o modelo de assessoria a taxas fixas, que foi uma das primeiras a abraçar no País. A concorrência pela clientela aumentou, com o surgimento de novos negócios de consultoria e a disputa por um dinheiro que anda escasso, depois dos últimos anos em que as carteiras ficaram travadas na renda fixa. Para continuar a crescer, mais do que prospectar clientes (o B2C), a corretora quer angariar novos parceiros, oferecendo a estrutura de tecnologia que desenvolveu internamente para auxiliar quem está começando a operação fee-basedagora.
Felipe Bossolani, CPTO da Warren e responsável pelas áreas de tecnologia e produto, explica que o arcabouço de tecnologia próprio está pronto há algum tempo. A gestora fornecia o serviço de carteiras administradas para a corretora, aproveitando do modelo fee-based estruturado desde o dia 1. Funcionava bem dentro de casa, então o entendimento foi de que poderia fazer sentido oferecer este mesmo serviço a terceiros.
“Quando percebemos que nós éramos clientes de nós mesmos, começou a parecer mais fácil produtizar isso e ir ao mercado novamente.”
E há demanda para isso. Dificilmente os brasileiros mantêm os recursos em uma única instituição – uma pesquisa feita pela Visa em 2025 mostrou que, na média, os brasileiros são clientes de 5 instituições financeiras. Além disso, os consultores e agentes autônomos também são independentes e podem recomendar produtos de diferentes bancos e corretoras. O objetivo da Warren é empacotar a sua estrutura – o broker, o consolidador de investimentos e o banker – e chegar a esses profissionais que não querem ficar plugados a um só lugar.
Bossolani traz um exemplo do mercado americano. Nos Estados Unidos, o surgimento e crescimento da corretora Robinhood só foi possível porque utilizavam os serviços de clearing e custódia da Apex no início da operação. A própria Warren poderia ter feito isso no começo, sem precisar investir para construir sua própria infraestrutura de tecnologia, se houvesse players oferecendo este serviço no mercado local, diz ele.
“É uma oferta completo de um ecossistema de gestão de portfólios para os nossos clientes e gestão do próprio escritório”, explica. “É uma expansão do nosso B2B não só no modelo white label, mas também entregamos as camadas de APIs [conjunto de protocolos para criar e interagir aplicações de um software] para que o cliente possa criar a própria experiência, se preferir.”
Desde o segundo semestre do ano passado, a Warren tem um mandato de venda aberto com a Seneca Evercore, assessoria financeira focada em M&A, para negociar com potenciais novos sócios estratégicos, ainda sem avanços. O planejamento orçamentário para a nova fase, no entanto, é independente. “Claro que ajudaria para ‘botar gasolina no taque’. Mas não impede o que estamos fazendo nesse momento”, diz Bossolani.