Em sua última rodada de investimentos, a empresa captou US$ 70 bilhões com investidores, dentre eles, a Sequoia Capital, que já chegou a investir no Nubank, e o Founders Fund, do investidor bilionário de tecnologia Peter Thiel, além da Kaszek, que acompanha o ARQ desde o começo.
O ex-DolarApp foi fundado por Fernando Terrés, Zach Garman e Álvaro Correa, que trabalharam juntos anteriormente na Revolut, onde lideraram produtos relacionados a remessas, serviços premium e criptomoedas. A nova empreitada do trio foi lançada no México em 2022, expandiu-se pouco depois para Colômbia, Argentina e, mais recentemente, para o Brasil.
O dinheiro recebido nos aportes será destinado à melhora da oferta de produtos do ARQ. A maior novidade é o plano Prestige, que oferece um cartão de crédito internacional de metal com até US$ 50 mil de limite, cashback de 2% e anuidade de US$ 199, sem cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Ao gastar US$ 2 mil por mês, o usuário recebe 50% de desconto na anuidade. Para gastos acima de US$ 4 mil mensais, ela se torna gratuita. A fatura é cobrada em dólar digital – criptomoeda atrelada ao dólar. O cliente pode pagar em real, com uma taxa de conversão de 0,5%. Se ele já tem recursos ou recebe no exterior, pode pagar em dólar sem precisar fazer nenhuma conversão.
O cartão não oferece pontos, mas a fintech tem pensado nesse benefício. “O importante era que a proposta principal do produto fosse atrativa. Não queríamos começar ao contrário: fazer um cartão que só funcionasse porque tinha milhares de benefícios que eventualmente não seriam nem economicamente sustentáveis”, explica Leonardo Bernini, diretor-geral do ARQ no Brasil.
O produto está sendo liberado gradualmente aos clientes da plataforma, com uma lista de espera. Além do cartão e da conta global, a empresa também oferece opções de investimentos em ações e ETFs (fundos de índice) nos Estados Unidos.
Segundo Bernini, o ARQ está focado em clientes de alta renda. Ele observa que, nos últimos anos, muitas fintechs desenvolveram produtos para o público de menor poder aquisitivo, enquanto os mais ricos ainda ficaram dependentes dos bancos tradicionais para resolver suas demandas internacionais.
Os custos nessas instituições, no entanto, são mais altos. Como mostramos nesta matéria, o spread (acréscimo aplicado sobre a cotação de referência da moeda estrangeira no mercado) pode chegar a 6% nos cartões dos bancos tradicionais.
Outro ponto envolve a burocracia. Para resolver demandas bancárias, o público de alta renda ainda recorre ao gerente do banco, mesmo com a existência de aplicativos. “Isso não é necessariamente um serviço premium, mas sim um reflexo de um produto ruim, que faz com que você precise falar com o gerente”, avalia Bernini.
O ARQ busca se posicionar nesse contexto: alcançar clientes pouco atendidos por outras fintechs e oferecer uma experiência digital com custos mais baixos do que os praticados por grandes bancos.