O mercado hoje sofre pressão dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus impactos no petróleo e nos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos (Treasuries), em dia sem indicadores domésticos muito relevantes, mas influenciado pela ata da última decisão monetária do banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed). Também influenciam a expectativa pelo balanço da Nvidia e possíveis desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Banco Master.
Segundo Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o pagamento dos juros semestrais do Tesouro IPCA+ representa uma oportunidade estratégica para investidores que buscam acelerar a acumulação de patrimônio. “O investidor não precisa tratá-los [os juros] como consumo imediato, mas como motor de crescimento”, replicando-os em títulos públicos ou em outros ativos de renda fixa, gerando efeito composto ao longo do tempo, explica.
Esse reinvestimento cria o chamado resultado “bola de neve” dos juros, ampliando o montante investido e aumentando o retorno total da carteira de forma contínua. “Mesmo em títulos de liquidez diária ou em aplicações alternativas, direcionar os cupons recebidos para novas posições potencializa o crescimento do capital e ajuda a construir renda futura consistente”, afirma o especialista.
A decisão estratégica, defende Murad, consiste em aproveitar esse recurso para reforçar posições em renda fixa, diversificar entre IPCA+, prefixados ou até fundos de infraestrutura e Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs), sempre considerando liquidez, horizonte de investimento de perfil de risco do investidor.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,32% e 7,04%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,41% em 2049 e vão caindo gradualmente nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,94%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,21% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto hoje mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.