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Colunista

A relação entre os títulos de longo prazo e o risco eleitoral

Se amarrar em um título muito longo agora, a beira de uma mudança de política, não parece uma boa ideia

Por Marilia Fontes

23/07/2021 | 12:02 Atualização: 23/07/2021 | 12:02

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O Tesouro Direto pode ser uma boa opção para quem deseja investir de maneira segura em modalidades de renda fixa. (Foto: Pexels)
O Tesouro Direto pode ser uma boa opção para quem deseja investir de maneira segura em modalidades de renda fixa. (Foto: Pexels)

Os títulos públicos são empréstimos que fazemos para o governo. Nesses empréstimos são acordadas as taxas, o indexador da dívida e o vencimento.

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Quanto mais longo o título, maior o risco que ele carrega. Isso ocorre porque quanto maior o horizonte maior a incerteza a respeito do cenário macroeconômico e político.

Por exemplo, eu consigo ter uma certa visibilidade sobre como vai se desenrolar a atividade em 2021. Analisando a vacinação da população, a abertura econômica, a produção industrial, as vendas no varejo, a confiança, eu consigo fazer projeções minimamente assertivas do futuro próximo.

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Por outro lado, eu não faço a menor ideia de como estará a atividade em 2045. Não sei que tipo de políticas vão estar vigorando, não sei como estará o nível de dívida, nem o nível de gastos, nem quase nada. Estimar um futuro distante é muito difícil, para não dizer impossível.

Ou seja, quanto mais longo o meu título, maior deve ser o prêmio que ele paga, pois mais sujeito à incerteza estará este futuro.

A diferença de taxa entre os títulos mais longos e os títulos mais curtos são chamadas de inclinação ou prêmio de risco. Algumas épocas como crises cambiais ou expansão fiscal são marcadas por aumento desse prêmio de risco. Outras épocas como ciclos fiscais contracionistas e atividade fraca são marcados pela redução desse prêmio de risco.

Se olharmos a taxa de juros de 10 anos atual, vamos ver que estamos ainda bem abaixo da média dos últimos 15 anos. Claro que grande parte da queda veio de uma forma estrutural, consequência das últimas reformas (previdência, teto de gastos) aprovadas no Congresso. Porém, uma parte também é conjuntural, fruto de uma política fiscal contracionista e de um juro mundial em queda.

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Essas últimas podem estar prestes a mudar. A inflação americana segue surpreendendo os analistas e se encontra em níveis acima de 5% anualizado. Isso pode ser o primeiro passo para um ciclo consistente de aumento das taxas de juros americanas e mundiais.

A política fiscal contracionista, por outro lado, é fruto de uma agenda liberal liderada por Paulo Guedes, que procura reduzir o tamanho do estado. A redução do BNDES e devolução de recursos para o Tesouro é um exemplo dessa política.

Porém, ano que vem teremos novas eleições. Não sabemos ainda que tipo de política econômica que irá vigorar pelos próximos 4 ou 8 anos.

Posto isso, se amarrar em um título muito longo agora, a beira de uma mudança de política, não me parece uma boa ideia. Ainda mais se somamos a isso o fato da taxa atual ter muito pouco prêmio de risco, e também ao fato da taxa americana estar no início de um possível ciclo de alta.

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Há momentos muito propícios para alongar o perfil dos seus títulos. Eles incluem prêmios de risco grandes e perspectivas econômicas positivas.

Mas nenhum desses cenários está presente atualmente!

Então, quando entrar no seu Tesouro Direto, lembre-se de tudo isso e procure prazos mais curtos e mais flexíveis. O retorno vai ser menor, mas a prudência é muito bem-vinda.

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