As atenções estão voltadas para esse documento desde o começo da semana, uma vez que os números podem mexer consideravelmente com expectativas do mercado sobre o momento em que o banco central dos EUA pode começar a cortar estímulos monetários. O “payroll” será divulgado na sexta-feira (2).
Esses estímulos, via compras mensais de 120 bilhões de dólares em títulos pelo Fed, na prática são sobra de liquidez que tem favorecido mercados de risco (como os emergentes) desde o ano passado, quando começou a pandemia de covid-19. Uma redução das compras representaria menor liquidez disponível, efetivamente deprimindo novas ofertas de dólar e, assim, potencialmente elevando o preço da moeda.
Mas a expectativa é que o Fed ainda demore para anunciar o chamado “tapering”, o que tem garantido nos últimos dias o clima favorável a ativos de risco, como o real e seus pares emergentes, em detrimento do dólar.
Às 12h49, a moeda norte-americana caía 0,44%, a 5,1607 reais, após descer a 5,1429 reais (-0,77%) na mínima.
Lá fora, o índice do dólar frente a uma cesta de moedas de países ricos recuava 0,23%, para os menores níveis em um mês. Divisas com alguma correlação com as matérias-primas lideravam os ganhos nesta quinta-feira, com destaque para as moedas da Nova Zelândia e da Colômbia (com altas de 0,5% cada) –que exportam produtos para a China.
O Brasil também tem na China importante comprador de suas exportações, compostas em boa parte de matérias-primas, cujo índice voltou a subir nas últimas sessões e já está a cerca de 1,5% das máximas desde julho de 2015, alcançadas em torno de um mês atrás.
“Nossas previsões relativamente ‘dovish’ (que contemplam estímulos monetários) para o Fed, combinadas com o elevado ‘valuation’ (uma medida de avaliação de preço) do dólar e uma economia global em recuperação, sustentam nossa visão estruturalmente pessimista acerca da moeda”, disse o Goldman Sachs em nota.
“Com a última onda de surtos da Covid possivelmente atingindo o pico, o dólar pode começar a se enfraquecer novamente contra pares cíclicos, mesmo que leve mais tempo para os mercados colocarem nos preços aumentos iniciais das taxas de juros do Fed.”