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Brasil lidera emissão de títulos verdes na América Latina

Desde 2015, ano do primeiro título emitido, as 78 transações brasileiras em títulos verdes somam R$ 40,5 bi

Por Rebeca Soares

15/09/2021 | 18:00 Atualização: 15/09/2021 | 18:00

(Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)

Investimentos direcionados a compromissos ambientais têm crescido no mercado financeiro brasileiro nos últimos anos, ocupando um espaço na seara de transformações indicadas por instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU). O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no início de agosto, apontou a urgência para tomada de medidas globais com o intuito de deter mudanças climáticas a partir do universo financeiro, desde a atuação das empresas até as aplicações em fundos.

Leia mais:
  • Para ONU, fundos verdes têm longo caminho a ser trilhado no Brasil
  • Climate Bonds Initiative: “Risco climático é risco de investimento”
  • The Economist: Mas, afinal, para que servem os títulos verdes?
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O Brasil tem forte relevância diante do tema, pois, além de ser uma das principais economias entre os países emergentes, abriga a Amazônia, que é a maior floresta tropical do mundo. Entre os números de emissões de títulos verdes, o Brasil é responsável por 30,7% dos valores totais dos países latino-americanos.

Desde 2015, ano do primeiro título emitido, até junho deste ano, as 78 transações brasileiras em títulos verdes somam US$ 10,3 bilhões (R$ 40,5 bilhões), sendo que o total em toda a América Latina calculado em cerca de US$ 26,3 bilhões.

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Vale pontuar que as instituições não financeiras lideram a emissão desses títulos no País. Os setores de energia renovável, infraestrutura e agricultura lideram o ranking e foram responsáveis pela emissão de 67 títulos, ou seja, 78% do total.

O que é o rótulo verde?

Com o intuito de informar e direcionar investimentos dos mercados financeiro e de capital para atividades e projetos sustentáveis no Brasil, a Climate Bonds Initiative (CBI) e a CFA Society Brazil elaboraram um artigo para profissionais do mercado financeiro conhecerem o impacto dos ativos com certificação sustentável até chegar aos investidores.

Julia Ambrosano, analista da agenda de infraestrutura no Brasil da CBI, destaca que medidas recentes, como o Decreto 10.387/20, que visa acelerar a emissão de debêntures verdes, e a Lei 13.986/20 que permite que CRAs sejam emitidos em moeda estrangeira, são exemplos de regulamentações que podem apoiar o desenvolvimento de um mercado de finanças verdes no Brasil.

Ela explica que o rótulo de título verde é dado com o objetivo de garantir que os projetos financiados são sustentáveis e comprometidos. “Observamos se as ações estão em conformidade com o trato de zero carbono a partir dos critérios da taxonomia, um documento com os critérios que garantem o projeto como verde”, explica. Segundo ela, todos os parâmetros utilizam o Acordo de Paris sobre a Mudança do Clima.

Segundo Gustavo Herkenhoff Moreira, presidente da CFA Society Brazil e coordenador dos MBAs de Finanças do Ibmec, o rótulo verde de ativos funciona como um complemento para as análises tradicionais de investimentos, não sendo substitutivo.

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“Apesar de ainda não ter entrado no radar de todos os investidores, os investimentos sustentáveis têm tomado espaço de forma rápida e intensa. Analisamos ser uma tendência que veio para ficar, especialmente quando as gerações mais novas ocuparem cargos mais altos no mercado de trabalho e alcançarem maturidade financeira”, explica.

Para Herkenhoff, o interesse dos investidores em empresas que comprovam o compromisso com o três pilares do ESG (ambiental, social, governança) acontece porque as companhias podem apresentar melhores resultados ao destinar resíduos sólidos de forma correta, reduzir o consumo de energia e reduzir as quantidade e valores de possíveis multas. Dessa forma, pode haver aumento de receita e atração de novos clientes e investidores. 

Mesmo que esse fator ainda não esteja no radar da maior parte de quem investe, Herkenhoff diz ser possível ver uma mudança acelerada. “Diversas pesquisas mostram que a responsabilidade sustentável acarreta na redução de risco para investidores, que por sua vez contam com gestores para levar o tema em consideração”, explica.

A certificação CFA (sigla em inglês para Chartered Financial Analyst) é a habilitação internacional para profissionais atuarem como analistas e gestores de investimentos. “Como entidade de classe, temos o papel justamente de promover o debate e gerar impacto positivo para sociedade”, destaca.

O que falta para potencializar os títulos verdes no Brasil?

Segundo o guia elaborado pelas organizações, o maior desafio é a regulação. Para emissão de títulos verdes soberanos no País, o valor da dívida deve ser destinado exclusivamente em uma estratégia verde, o que pode gerar conflito com a composição integral do orçamento federal.

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Entretanto, as soluções advindas da união de órgãos voltados ao estudo de cenários, como a CBI e a CFA, junto às instituições públicas, devem desenvolver o processo para os próximos anos. Dessa forma, outro desafio, o de ter as métricas mais efetivas e padronizadas pode ser amenizado.

Com o objetivo de garantir transparência para as organizações regulatórias e para investidores sobre o direcionamento dos recursos, os parâmetros e diretrizes exigem clareza.

“Dada a crescente participação do capital privado em setores-chave da economia, é importante direcionar a atuação das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) para onde seus impactos possam ser maximizados: na provisão de estruturas de mitigação de risco e garantias”, diz o documento.

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