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Colunista

Por que ignorar a Geração Z pode custar caro

Os jovens formam as engrenagens do futuro, mas se encontram em um limbo de incertezas

Por Ana Paula Hornos

19/10/2024 | 6:00 Atualização: 18/10/2024 | 12:10

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Geração Z Foto: Adobe Stock)
Geração Z Foto: Adobe Stock)

A Geração Z está no olho do furacão. Por um lado, rotulados como “perdidos”, desajustados, inquietos. Por outro, são eles que carregarão o mundo nos ombros, uma força que já começou a mover as engrenagens do futuro. Um paradoxo vivo: minoria incompreendida, maioria transformadora. Ignorar essa geração é condenar-se à irrelevância.

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Essa geração deve ser vista de duas formas: como minoria no olhar da inclusão, precisando de compreensão e apoio, mas também como maioria, se considerarmos seu impacto iminente como força de trabalho e mercado consumidor. O erro de subestimá-los pode custar caro, porque o que muitos chamam de crise geracional é, na verdade, a chave para a transformação.

Mas de onde vem esse rótulo de “perdidos”? Não seria resultado de uma sociedade que os empurrou para essa condição? A verdade é que nunca estivemos prontos para o ritmo avassalador das mudanças que nós mesmos criamos. O sistema educacional se tornou obsoleto e a sociedade os abandonou em um limbo de incertezas. E o que as gerações mais velhas fizeram? Mergulharam em suas próprias crises, esperando que esses jovens magicamente se encaixassem em moldes antigos e ultrapassados. Agora, veem com espanto uma geração que se recusa a seguir as velhas regras.

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Tenho visto isso de perto na minha própria prática. Recentemente, orientei um jovem extremamente motivado a iniciar seu estágio. Ele estava ansioso para aprender, fazer a diferença. Mas ao ser incorporado na empresa, o cenário que encontrou foi desolador. Não havia tarefas desafiadoras, nenhuma supervisão. Ele foi jogado em um ambiente onde a única coisa que podia fazer era cumprir o horário. O tempo ocioso no presencial o empurrou para as redes sociais, o que, paradoxalmente, o desmotivou profundamente. Ele queria trabalhar, queria aprender, mas foi empurrado para a mesmice.

Outra jovem, também em orientação, relatou o oposto: sobrecarga. Tarefas mecânicas, humilhações constantes e um ritmo de trabalho que beira o desumano, excedendo qualquer limite saudável. Ela chegou ao burnout, desiludida com o mercado de trabalho, explorada em sua essência.

E há, ainda, as empresas que “gamificam” o ambiente de trabalho, disfarçando a exploração com slogans do tipo “aqui não tem mimimi”. Essas empresas prendem os jovens em uma espécie de compulsão trabalhista, criando uma pressão social coercitiva, sem estimular a autonomia, o pensamento crítico ou o propósito. O que vemos, em todos esses casos, é um retrocesso. Temos jovens mais preparados a cada ano, ou ao menos desejamos isso, mas estamos voltando aos primórdios da mecanização de tarefas, como no início da Revolução Industrial.

Mecanização humana em plena era da inteligência artificial? Onde se demanda cada vez mais o espírito crítico e a humanização? Como estamos formando o mercado de trabalho? Que futuro estamos construindo assim?

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No Brasil, o problema ganha contornos ainda mais graves. Somos campeões em jovens que não estudam nem trabalham — os “nem-nem”. Na baixa renda, a falta de oportunidades e as estruturas frágeis os sufocam. Na alta renda, o excesso de conforto cria uma bolha de apatia e desmotivação. A consequência? Um abismo que engole talentos e limitações, tudo ao mesmo tempo.

E o mercado de trabalho? As empresas tradicionais assistem a essa transformação como quem vê uma tempestade à distância, sem perceber que estão no meio dela. Ignorar a Geração Z pode custar caro — e não estou falando só de dinheiro, mas de valor. Empresas que não se adaptarem, que continuarem operando como se o mundo não tivesse mudado, verão suas ações despencarem, enquanto startups inovadoras tomam o protagonismo. A revolução já começou, e quem não mudar agora será deixado para trás.

Pais, líderes, educadores — é nossa responsabilidade agir. Não podemos esperar que essa geração “se acerte” sozinha. Temos que ser os mentores que abrirão caminho para que floresçam. Que tipo de legado queremos deixar? O de quem resistiu ao novo, ou o de quem ajudou a moldar o futuro? Este é o momento de reescrever a história. O que faremos agora determinará como seremos lembrados: como aqueles que lutaram contra a mudança, ou como aqueles que a abraçaram e lideraram a transformação?

O futuro não vai esperar. E a Geração Z já está assumindo as rédeas, mesmo que muitos ainda não tenham percebido.

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