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Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de educação financeira para mulheres. É apresentadora do podcast “Meu Dinheiro, Minhas Regras” e colunista da Rádio Bandeirantes e dos portais da revista Claudia e E-Investidor. Autora dos livros “Dinheiro Nasce em Árvore?” e “Detox das Compras”, além de coautora do “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos”. Formada em Jornalismo (PUC-SP), estudou relações internacionais no Instituto de Estudos Políticos da França (Sciences Po) e liderança feminina em Wharton.

Escreve às segundas-feiras, a cada 15 dias

Carol Sandler

Número de mulheres na B3 acelera, mas o caminho ainda é longo

Desigualdade financeira e patrimonial e menos acesso à educação financeira são problemas que devem ser enfrentados

Mulher corretora mercado financeiro (Foto: Evanto Elements)
As mulheres se aproximam de 1 milhão de investidoras na B3 (Foto: Evanto Elements)
  • Chama atenção o salto entre 2019 e 2020. O número de mulheres investidoras mais do que dobrou, passando de 388 mil para 825 mil investidoras
  • Mas, as mulheres tiveram pouco acesso ao mercado financeiro. Sua possibilidade de gerar renda e crescer na carreira começou a evoluir somente após a introdução da pílula anticoncepcional

O número de investidoras na B3 bateu um recorde histórico no final de novembro: somos hoje 26% do total de cadastros na Bolsa, de acordo com os dados divulgados na semana passada pela B3. Parece pouco? Em 2002, éramos apenas 17%.

Chama atenção o salto entre 2019 e 2020. O número de mulheres investidoras mais do que dobrou, passando de 388 mil para 825 mil investidoras. Esse crescimento foi generalizado, mas o número de homens investidores não avançou na mesma velocidade.

Este é um indicador que a população inteira precisa prestar atenção – ele mostra, indiretamente, a popularização do investimento em renda variável. Historicamente, as mulheres tiveram pouco acesso ao mercado financeiro. Sua possibilidade de gerar renda e crescer na carreira começou a evoluir somente após a introdução da pílula anticoncepcional, no final dos anos 1960, que trouxe consigo a perspectiva de fazer um planejamento familiar.

Mas não é apenas a questão histórica que explica o fato de as mulheres serem minoria no total de investidores. Um fator que tem um peso desproporcional é a desigualdade salarial. Segundo o IBGE, a mulher ganha, na média 77% do salário de um homem – e essa diferença cresce conforme o nível de escolaridade avança. Com menos renda disponível, é inevitável ter menos interesse em investimentos mais arriscados.

E é aí, na minha visão, que vem o pulo do gato. O terceiro fator é a falta de confiança e a percepção distorcida de risco. Nestes 8 anos em que trabalho com educação financeira para mulheres, venho perguntando para elas o que as impede de investir. A resposta é sempre a mesma: “tenho medo”.

Este medo tem muitas origens. Ele é explicado pela falta de conhecimento e pelo receio de perder todo o patrimônio. Vale lembrar que muitas ainda sentem o impacto do trauma do confisco da poupança, tenha ele sido vivido diretamente, ou herdado em família. Mas sem educação financeira básica, é impossível reverter este temor. O medo de perder tudo paralisa a mulher – ela não aceita correr risco algum, para não se colocar em uma posição de vulnerabilidade.

O problema é que ao não investir, ela também fica em uma situação vulnerável, muitas vezes sem perceber. Além da desigualdade salarial, é fundamental discutir a desigualdade patrimonial. Ao ganhar menos e investir menos, a mulher não tem a mesma possibilidade de construir um patrimônio e, com ele, garantir a sua independência.

Este medo é exacerbado entre as mulheres pela sua falta de conhecimento sobre os produtos e serviços do mercado financeiro. Com menos educação financeira que os homens, as mulheres têm menos acesso a conteúdo que pode guiar escolhas sustentáveis de investimento.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realizou um estudo sobre educação financeira e concluiu que para uma iniciativa de educação financeira funcionar, ela precisa ser segmentada. O “modelo único” não funciona para todo mundo, pois nem todo mundo sai do mesmo ponto de partida. E os dois grupos que mais têm necessidade de acesso a este tipo de conhecimento? Na visão da instituição, crianças e mulheres.

As mulheres não só por todos os motivos que citamos aqui, mas também pelo fato de que elas são multiplicadoras. Ao aprenderem a lidar melhor com seu dinheiro, elas compartilham isso com sua família e amigas. A sociedade inteira é impactada positivamente.

Com acesso ao básico da educação financeira, a mulher tem mais capacidade de construir confiança e começar a investir – e é somente assim que ela vai poder montar o seu patrimônio, garantir a sua independência e, de quebra, aumentar o porcentual de mulheres investidoras.

Temos um longo caminho a percorrer até chegarmos aos 50% dos CPFs na Bolsa. Mas não se engane: quando isso acontecer, será sinal de que temos uma sociedade mais justa, igualitária e que dá as mesmas oportunidades para todos.

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