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Colunista

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo

Esta é a época do ano em que gosto de rever o que se passou e o que podemos esperar pela frente

Por Dan Kawa

01/12/2021 | 7:38 Atualização: 01/12/2021 | 7:38

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Devemos entrar em 2022 com um quadro mais desafiador. (Foto: Envato Elements)
Devemos entrar em 2022 com um quadro mais desafiador. (Foto: Envato Elements)

Estamos caminhando para o final de 2021. Esta é a época do ano em que gosto de rever o que se passou e o que podemos esperar pela frente.

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No Brasil, 2021 foi um ano de enormes desafios. Devemos encerar o ano com um crescimento do PIB na ordem de 5%; uma inflação medida pelo IPCA acima de 10%; uma taxa de desemprego acima de 12%; uma melhora expressiva do quadro fiscal; e sem grandes surpresas negativas das contas externas.

A alta da inflação levou o Banco Central (BCB) a promover um processo inadiável de aumento das taxas de juros, que levou a Taxa Selic de 2% para 7,75%. A expectativa é de que a Selic siga subindo, para patamares superiores a 10% e mais próximos a 12% no começo de 2022.

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A despeito do crescimento do PIB aparentar para um quadro relativamente positivo da economia, assim como a melhora do quadro fiscal, vale lembrar que em ambos os casos viemos de bases muito fragilizadas pela pandemia. Além disso, no caso do PIB, o impulso fiscal do Auxílio Emergencial foi fundamental para a sustentação de uma taxa mais elevada de crescimento.

A alta da inflação e do desemprego são vetores de preocupação, que já se mostram como relevantes entraves (ou restrições) para o bom andamento da economia no curto-prazo. Este pano de fundo coloca enorme pressão no cenário prospectivo.

Os dados correntes de atividade econômica e confiança apontam para uma desaceleração importante do crescimento econômico. A alta taxa de desemprego, a inflação elevada, juros mais altos, a incerteza fiscal e política, somados ao fim do Auxílio Emergencial são vetores que ajudam a explicar essa desaceleração do crescimento.

Diante deste ambiente, devemos entrar em 2022 com um quadro mais desafiador. Há expectativas (talvez esperanças) de que a inflação recue para algo em torno de 5,0%-5,5%; o crescimento do PIB deverá apresentar apenas um módico crescimento (isso se conseguir crescer); a taxa de juros devem atingir o patamar de dois dígitos (e se manter elevada por um tempo relevante); o quadro fiscal irá depender mecanicamente das pressões políticas (em um ano eleitoral); e a taxa de desemprego deve recuar muito lentamente, em um ambiente de inflação ainda alta e crescimento mais baixo.

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Em 2022, teremos uma eleição presidencial. Acredito que seja muito cedo na corrida eleitoral para tecer qualquer comentário ou análise da situação, mas certamente será um tema que iremos retomar a exaustão a partir do segundo trimestre do próximo ano.

Em linhas gerais, estamos caminhando para encerar 2021 em uma situação muito mais delicada do que imaginávamos em termos econômicos. Contudo, nem tudo é negativo. O país conseguiu avançar ferozmente em seu processo de vacinação, o que tem ajudado a controlar a pandemia e traz um ar de normalidade a sociedade.

Ao longo do ano, voltaremos a abordar temas de maneira mais profunda e específica, à medida que a cenário for se desenvolvendo.

No cenário internacional, quando escrevo este artigo, uma nova variante do covid-19 foi descoberta na África do Sul, com algumas mutações em uma proteína específica que levaram a comunidade médica a alertar ao mundo do potencial de contágio global.

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Ainda é muito cedo para termos uma visão mais clara da situação. O que sabemos até o momento é que a variante parece ser mais contagiosa; não parece ser mais agressiva; ainda há dúvida sobre o escape imune das vacinas ou das pessoas anteriormente contaminadas.

Alguns países anunciaram medidas mais drásticas de contenção da disseminação do vírus, como fechamento total de suas fronteiras; quarentenas para viajantes; obrigatoriedade de vacinas; entre outras medidas.

No curto-prazo, devemos ter algum impacto negativo no crescimento global, e mais pressão altistas na inflação, mas, reforço, ainda é muito cedo para termos uma opinião formada sobre a magnitude, duração e velocidade deste impacto.

O mundo caminha para 2022 com uma questão inflacionária ainda não endereçada. Vemos pressões altistas na inflação ao redor do mundo, o que tem levado diversos bancos centrais a um processo de normalização monetária, ou retirada de estímulos.

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Neste momento, julgamos que o cenário central seja de continuidade desses movimentos, ou seja, inflação ainda elevada e continuidade dos movimentos de aperto de liquidez.

Algumas regiões do mundo apresentam desaceleração do crescimento, como é o caso da Europa e da China. Na Europa, uma nova onda da pandemia já assolava a região mesmo antes da nova Variante. Há expectativas de alguma estabilização do crescimento, mas os riscos vêm aumentado a cada novo dia.

Na China, esperamos um crescimento mais baixo por mais tempo. O país ainda terá que lidar, em 2022, com problemas não solucionados no mercado imobiliário e no mercado de crédito. A inflação não é um problema no país, mas o crescimento é um vetor de preocupação crescente.

Nos EUA, o crescimento ainda se mostra robusto, mas a elevada inflação deverá se impor, forçando o banco central a acelerar o seu processo de normalização monetária (na ausência de uma nova onda mais forte da pandemia).

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Continuamos esperando problemas idiossincráticos para alguns países emergentes, pares do Brasil, como é o caso de Turquia, Argentina e Venezuela, apenas para citar alguns.

Em suma, se antes víamos “ventos a favor” das economias e para os mercados, na forma de uma inflação baixa, uma pandemia controlada, uma liquidez global abundante e uma China que atuava como um importante motor do crescimento global, hoje “sentimos” que estes ventos pararam de “soprar”. Ainda não nos parece que estamos diante de “ventos contrários” no cenário externo, mas sem dúvidas existem “brisas” mais frias que demandam uma atenção diferenciada.

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