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Colunista

Estamos na Terceira Guerra Mundial, uma batalha econômica?

Desenrolar da guerra no leste europeu ainda pode mexer com o mercado financeiro

Por Dan Kawa

13/07/2022 | 7:50 Atualização: 13/07/2022 | 15:29

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Com números de inflação alta em todo o planeta, recessão é um caminho provável. Foto: Envato Elements
Com números de inflação alta em todo o planeta, recessão é um caminho provável. Foto: Envato Elements

“Recessão é quando o seu vizinho perde o emprego; depressão é quando você perde o seu”
Harry S. Truman

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Nas últimas semanas, me peguei pensando sobre o cenário econômico global, principalmente em torno do que ocorre na Europa, em especial na Ucrânia e na Rússia.

A grande reflexão que tenho feito é: será que já podemos estar no meio de uma “Terceira Guerra Mundial”, na qual a batalha não é apenas no campo militar, mas tem enormes desenvolvimentos no campo econômico e com reverberações globais?

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A invasão russa tem um impacto social e humano irreparável para a Ucrânia desde o seu primeiro dia. Por outro lado, mais recentemente o mundo começou a sentir os impactos econômicos (não desprezíveis) deste conflito, que podem levar a uma nova onda de impactos sociais e humanos, por meio de mais inflação e menos crescimento, aumentando ainda mais a complexidade do cenário.

Na Europa, se desenha um cenário energético catastrófico. A Rússia reduziu em cerca de 60% o fluxo de gás para o velho continente. O impacto imediato é a alta de preços, que exerce pressão altista na inflação e baixista no crescimento. Mantido este cenário, a região pode ver seus estoques de gás acabarem entre janeiro e março de 2023.

Neste momento, alguns planos de contenção estão sendo colocados em prática, mas cenários caudais,  como racionamento de energia, não podem ser descartados.

Caso alguns dos cenários mais extremos seja concretizado, este pode ser um dos principais temas para o cenário nos próximos meses, já que causaria uma profunda queda de atividade econômica e nova pressão de alta nos preços.

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Em junho, os ativos de risco apresentaram mais uma rodada de forte depreciação. A diferença deste mês, em relação a tudo aquilo que vimos no início deste ano, ficou por conta do fechamento da taxa de juros no mundo desenvolvido e na forte queda no mercado de commodities, especialmente as commodities metálicas não preciosas.

A narrativa do mercado mudou, de forma rápida e acentuada, do medo da inflação para o receio de uma recessão global. Esta mudança de dinâmica foi sustentada e explicada pela divulgação de dados econômicos, em especial nos EUA e na Europa, apontando para uma desaceleração não desprezível da economia global.

Pela primeira vez em vários anos (quiçá décadas) estamos vivenciando um cenário de desaceleração econômica (e aumento do risco de recessão), sem que os bancos centrais tenham a flexibilidade de ajustar sua política monetária em prol de mais crescimento.

Acredito que os mercados só irão melhorar estruturalmente quando tivermos uma visibilidade clara de que a inflação chegou ao seu pico e que os bancos centrais têm condições de encerrar o seu ciclo de ajuste monetário – alta de juros e aperto quantitativo (QT). Aí teremos uma noção mais clara de qual o tamanho, duração e extensão desta desaceleração econômica.

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Ao longo do mês, alguns desenvolvimentos específicos merecem destaque:

No Brasil, uma nova PEC avançou no Congresso e mais de R$ 40 bi de reais serão gastos acima do teto. Os rumos da situação fiscal no País, além do cenário internacional mais desafiador, tem mantido o dólar mais alto, a curva de juros pressionada (para cima) e a bolsa com dinâmica negativa.

Ainda vejo um mercado local barato em termos de valuation e uma posição técnica relativamente saudável. Contudo, sem uma melhor visibilidade do cenário (local e externo), será difícil observar uma mudança estrutural desta dinâmica no curto prazo.

Na China, com a reabertura econômica de diversas regiões do país pós-“lockdown”, estamos vendo, como era esperado, uma recuperação da atividade econômica. O governo vem executando um afrouxamento fiscal e monetário, assim como algumas medidas regulatórias para o setor de tecnologia. Isso ajudou o desempenho das bolsas do país em junho, na comparação com os demais mercados do mundo.

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Contudo, ainda temos enormes dúvidas de que as medidas anunciadas serão suficientes para acelerar de forma estrutural e relevante o crescimento. A estrutura da economia mudou nos últimos anos, o consumo se tornou mais relevante para o crescimento e as medidas de suporte usadas no passado podem não ser mais efetivas neste ciclo econômico.

Nos EUA, o Fed acelerou o ciclo de alta de juros para 75bps, mantendo as portas da política monetária abertas para as próximas decisões. De qualquer forma, o destaque do mês ficou por conta dos sinais cada vez mais claros, seja dos dados econômicos, seja das sinalizações do setor corporativo, de que há em curso uma desaceleração não desprezível do crescimento do país.

O semestre se encerrou como um dos piores períodos de desempenho para os ativos de risco nas últimas décadas. Infelizmente, não há perspectivas de curto prazo para uma mudança neste ambiente. De qualquer forma, estamos vendo mudanças significativas de preços, valuations e posição técnica que justificam a manutenção ou abertura de posição em algumas classes de ativos, que vínhamos evitando até aqui.

Gosto de agir de maneira bastante parcimoniosa nas alocações em ambientes de incerteza como o atual, pois precisamos ter a humildade de reconhecer que acertar o momento das inversões de tendência e cenário costuma ser uma tarefa ingrata (e praticamente impossível).

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Neste meio tempo, acredito que a melhor estratégia seja manter um portfólio mais diversificado do que a média histórica, seja em termos de classe de ativos, países e regiões, priorizando aquele grupo de ativo cujo risco versus retorno me parecem mais atrativos para este momento do ciclo, mas sem ignorar os potenciais “eventos de cauda” do cenário.

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